historia-de-quem-foge-e-de-quem-ficaNão teve um autor neste ano que quis tanto ler quanto Elena Ferrante. Os livros da tetralogia napolitana são aquela leitura que eu apenas precisava fazer o mais rápido possível, assim como os outros livros da autora italiana que foram chegando ao Brasil durante 2016. E, felizmente, eles nunca são uma decepção. O terceiro livro da série, História de quem foge e de quem fica (tradução de Maurício Santana Dias), mantém a qualidade dos outros volumes – e o dramalhão, claro. A violência do bairro que Lenu narra no primeiro livro, A amiga genial, ainda existe, agora intensificada pelas lutas da classe operária por melhores condições de trabalho, um embate entre esquerdistas e fascistas e também entre os intelectuais e os trabalhadores. Assim como continua a conturbada relação da narradora com sua melhor amiga, Lila, uma mulher de grande inteligência e sentimentos sempre à flor da pele, que não sabemos ao certo que tipo de amizade nutre por Lenu. E a vida das duas segue se cruzando.

No início do terceiro livro, Lenu narra como foi seu último encontro com a amiga: as duas, já com idade avançada, passeiam pelo bairro de Nápoles. A morte de uma de suas amigas da juventude, Gigliola, pauta a conversa. Como no começo dos livros anteriores, a cena serve para Ferrante relembrar o objetivo de Lenu ao narrar sua história com a Lila: desaparecida sem deixar rastros, Lenu faz justamente o que ela a proibiu de fazer, contar toda a sua história. Registrar sua presença no mundo. A partir disso, o livro continua do ponto em que parou: o lançamento do primeiro livro de Elena Greco e o reaparecimento de Nino, por quem é apaixonada desde pequena e que teve um caso com Lila.

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