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Resenhas e aleatoriedades literárias.

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Tag: Tetralogia Napolitana

História da menina perdida, de Elena Ferrante

historia-da-menina-perdidaUma das coisas que mais gosto na série napolitana da Elena Ferrante é que ela consegue te manter presa a qualquer detalhe da história. A amiga genial já era, desde os primeiros capítulos, uma narrativa cativante: o bairro pobre de Nápoles dos anos 1950, os sonhos infantis das duas meninas de serem autoras de livros importantes, o constante embate que as duas travavam, uma tentando superar a outra, mas nunca se ressentindo por completo. Mas o que me pegou mesmo foi o final do livro. Aquele final novelesco de “você só vai saber no próximo episódio” – nesse caso, no próximo volume da série –, “o que aconteceu naquele momento derradeiro”. E Ferrante segue assim, deixando esse suspense do que irá acontecer, do que Lila vai fazer ou de como Lenu vai contar suas memórias.

História da menina perdida, o último livro da série, já chegou com a expectativa de resolver o mistério que Ferrante apresentou no primeiro livro: onde está Lila, como ela conseguiu sumir completamente, sem deixar para trás nada do que foi seu – nem dinheiro, nem cartas, nem fotos, nada. Lila se “deletou”, como havia afirmado para a amiga que gostaria de fazer. Não quer pertencer a nada, quer desaparecer como um todo, sem deixar sinal de que ela um dia existiu. Contrariando a amiga – como um último ato de rebeldia –, Lenu conta toda a sua história, misturando a vida das duas meninas que se conheceram no bairro brincando de bonecas com a história da Itália, as duas crescendo e virando mulheres com filhos para criar enquanto o mundo acelera nas suas mudanças. É o que Ferrrante entrega do primeiro ao último livro. E os mistérios que tanto queríamos desvendar, bem, eles serão para sempre mistérios. Read more

História de quem foge e de quem fica, de Elena Ferrante

historia-de-quem-foge-e-de-quem-ficaNão teve um autor neste ano que quis tanto ler quanto Elena Ferrante. Os livros da tetralogia napolitana são aquela leitura que eu apenas precisava fazer o mais rápido possível, assim como os outros livros da autora italiana que foram chegando ao Brasil durante 2016. E, felizmente, eles nunca são uma decepção. O terceiro livro da série, História de quem foge e de quem fica (tradução de Maurício Santana Dias), mantém a qualidade dos outros volumes – e o dramalhão, claro. A violência do bairro que Lenu narra no primeiro livro, A amiga genial, ainda existe, agora intensificada pelas lutas da classe operária por melhores condições de trabalho, um embate entre esquerdistas e fascistas e também entre os intelectuais e os trabalhadores. Assim como continua a conturbada relação da narradora com sua melhor amiga, Lila, uma mulher de grande inteligência e sentimentos sempre à flor da pele, que não sabemos ao certo que tipo de amizade nutre por Lenu. E a vida das duas segue se cruzando.

No início do terceiro livro, Lenu narra como foi seu último encontro com a amiga: as duas, já com idade avançada, passeiam pelo bairro de Nápoles. A morte de uma de suas amigas da juventude, Gigliola, pauta a conversa. Como no começo dos livros anteriores, a cena serve para Ferrante relembrar o objetivo de Lenu ao narrar sua história com a Lila: desaparecida sem deixar rastros, Lenu faz justamente o que ela a proibiu de fazer, contar toda a sua história. Registrar sua presença no mundo. A partir disso, o livro continua do ponto em que parou: o lançamento do primeiro livro de Elena Greco e o reaparecimento de Nino, por quem é apaixonada desde pequena e que teve um caso com Lila.

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