r.izze.nhas

Resenhas e aleatoriedades literárias.

Menu Close

Tag: Todavia

Laços, de Domenico Starnone

lacosÉ difícil ler Laços sem pensar em Dias de abandono. Mesmo que você tente ignorar os rumores sobre a real identidade de Elena Ferrante – Domenico Starnone é casado com Anita Raja, que apontam como a pessoa por trás do pseudônimo –, os paralelos entre os dois livros são muitos. Mas calma, cada livro se sustenta muito bem sozinho. Em Dias de abandono, acompanhamos o drama de uma mulher deixada pelo marido, sua amargura por ter sido trocada por alguém bem mais jovem, o sentimento de não ser mais bonita, desejada, e com o peso da responsabilidade pelos filhos todo em cima dela. Em Laços, começamos pelo mesmo lugar: Starnone nos apresenta cartas que Vanda, a esposa abandonada, manda para o marido Aldo, alternando momentos de compreensão com ataques de fúria.

Essa primeira parte de Laços (tradução de Maurício Santana Dias) se assemelha muito à narrativa de Ferrante. Ela quer que o marido volte, mas também procura machucá-lo com as piores palavras que conhece para fazê-lo entender como a situação em que se encontra é humilhante e prejudicial à família. Mas diferente do romance da autora da série napolitana, Starnone apresenta as consequências desses anos ausentes em toda a estrutura familiar – e oferece também o “outro lado da moeda”.

Read more

O palácio da memória, de Nate DiMeo

o-palacio-da-memoriaÀs vezes personagens extraordinários se perdem na história. Muita gente já passou por esse mundo, poucas foram responsáveis por feitos notáveis, mas mesmo assim é um número considerável de gente que merece ser lembrada pelo que viveu, pelas dificuldades que enfrentou. Pena que esquecemos fácil. Nossa memória é incrível, mas não é das melhores. Seja por silenciamento premeditado ou pela passagem do tempo, nós esquecemos.

O palácio da memória é um projeto bacana por resgatar isso. O podcast The memory palace conta histórias de pessoas que não estão inscritas na grande História. Ex-escravos, mulheres que não se contentavam com o papel de boa esposa, visionários, cientistas, inventores… Nate DiMeo resgata essas pessoas de um passado não tão distante, e cria uma narrativa para aquilo que foi esquecido. Como Caetano W. Galindo, o tradutor, conta no posfácio do livro, ele se encantou com o podcast durante um voo longo. As narrativas de DiMeo, ele pensou, dariam um bom livro. E assim surgiu O palácio da memória, a versão “texto” do podcast lançada exclusivamente no Brasil pela Todavia.

Read more