Identidade é aquela coisa que sempre estamos desenvolvendo, ou que estamos buscando descobrir qual é. É mais fácil quando sua família toda cresceu no mesmo lugar, com as mesmas referências sobre quem se é e onde vive bem claras e definidas. Para o protagonista de Meu pequeno país, romance de Gaël Faye (Rádio Londres, tradução de Maria de Fátima Oliva do Coutto), a identidade e o lugar em que pertence não é uma questão tão clara assim.

Existe uma coisa com histórias de vida inteligente fora da Terra retratarem uma possível ameaça, ou naves gigantescas entrando no nosso espaço aéreo. Histórias bem cinematográficas, com imagens impactantes, sejam elas descritas em um livro ou criadas com grandes efeitos especiais nos filmes. Os “visitantes” podem ser ameaçadores e quererem destruir o mundo e escravizar os humanos. Ou podem ser seres tão confusos quanto a gente, que apenas querem se comunicar, mas não sabem como. Essas histórias mexem com nossos medos e esperanças, nos colocam naquele lugar de pensar: o que eu faria se isso fosse verdade?

Poucas coisas são tão desejadas pelo adulto moderno quanto horas ininterruptas do sono. Ao dormir, é como se todas as preocupações da vida evaporassem ao fechar dos olhos: trabalho, boletos, relacionamentos que deram errado, carreiras estagnadas. Um sono sem sonhos é o ápice do conforto e bem-estar. Queria eu dormir e acordar daqui a um ano, seja para ver as coisas melhorarem ou para ver o mundo pegar fogo. Mas pelo menos teria um ano inteiro de descanso extremo. Ou, como coloca a protagonista do segundo romance de Ottessa Moshfegh, um ano inteiro de descanso e relaxamento.

Os contos de fadas e filmes de terror estabeleceram a imagem da bruxa em nosso imaginário. Mulheres velhas, narigudas, com verrugas, que andam em vassouras e participam de cultos ao diabo em volta de fogueiras. Comem criancinhas e realizam outros sacrifícios. Jogam pragas e fazem feitiços. Crescemos com essa concepção de bruxa, e ela é, talvez, ainda a primeira coisa que vem na nossa mente quando ouvimos essa palavra.

“Faltava pouco para as oito da manhã quando o conselheiro titular Yákov Pietróvitch Golyádkin despertou de um longo sono, bocejou, espreguiçou-se e por fim abriu inteiramente os olhos. Aliás, ficou uns dois minutos deitado em sua cama, imóvel, como alguém que ainda não sabe direito se acordou ou continua dormindo, se tudo o que está acontecendo é de fato real ou uma continuação de seus desordenados devaneios.”

“Quando vê um cadáver, um tralfamadoriano pensa apenas que a pessoa morta não está em boas condições naquele momento específico, mas que em diversos outros momentos essa mesma pessoa está muito bem. Agora, quando fico sabendo que alguém morreu, dou de ombros e digo a mesma coisa que os tralfamadorianos dizem sobre os mortos, que é o seguinte: ‘é assim mesmo’.”

“[…] o mundo em geral não pensa que assaltantes de bancos podem ter filhos – embora um bocado deles os tenha. Mas a história dos filhos – que é a minha história e da minha irmã – cabe a nós ponderar, partilhar e julgar tal como a vemos.”

Dell Parsons tem 15 anos quando seus pais são presos por um assalto a banco nos EUA, em 1960. Com sua irmã gêmea, viram os pais sendo levados pela polícia, duas pessoas que nunca imaginariam ser capazes de cometer qualquer tipo de crime. Dell é filho de um militar da aeronáutica que veio do sul do país, sua mãe é filha de imigrantes judeus. Um casal improvável, mas que deu certo durante todos esses anos. Até o assalto.