Há semanas tem uma pergunta no meu Curious Cat que deixei lá sem resposta. “Qual o melhor livro que já leu?”

É uma pergunta que qualquer pessoa que lê vai receber um dia. Se é alguém que lê e está na internet, vai receber umas 5 vezes por ano, para chutar baixo. 

Durante um tempo havia uma resposta que eu usava sempre, e muita gente também: essa é uma pergunta impossível. São muitos os livros, cada um bom na sua proposta. Cada um me tocou de uma forma diferente. 

Nada como uma tragédia familiar para te fazer ficar presa em um livro. Sou da opinião de que todo leitor de ficção é um grande fofoqueiro, então essas histórias são perfeitas para a sede de fofoca que habita em nós. Histórias de gente que podemos imaginar como sendo nossos vizinhos, fuxicando uns com os outros sobre a vida alheia e seus segredos. Foi com isso em mente que li Crônica da casa assassinada, de Lúcio Cardoso, um sucesso literário dos anos 1950 que ganhou nova edição pela Companhia das Letras. 

Muita gente recomendou que eu lesse Copo vazio, de Natalia Timerman (Todavia) por causa do podcast PPKANSADA. Caso você não saiba, sim, participo de um podcast com esse nome. Um dos episódios foi uma conversa sobre ghosting, a prática de sumir sem dizer nada e deixar a outra pessoa lá só divagando o que pode ter acontecido. Odeio sofrer ghosting, mas não vou mentir dizendo que nunca dei um. Todo mundo passa por isso em algum momento da vida, principalmente se a pessoa em questão foi um match do Tinder. Com a protagonista de Copo vazio não foi diferente. 

Uma das coisas que contribuem para a falta de vontade de viver, para mim, é quando a minha casa está desarrumada. Não sou a pessoa mais organizada, nem a mais limpinha, mas se eu deixo a casa chegar a um estado de quase abandono, meu humor só piora. A irritação aumenta conforme cresce a poeira em cima dos móveis. Limpar a casa acaba sendo, então, uma forma de terapia. Ver o chão limpo, as coisas no seu lugar, a louça lavada… Isso traz uma paz de espírito. Lendo Os tais caquinhos, de Natércia Pontes (Companhia das Letras), reafirmei isso para mim mesma: minha casa reflete meu (des)equilíbrio mental. 

Foi um amigo maravilhoso quem me mandou um livro de Joan Didion, Play it as it lays, e me apresentou à ela (obrigada, João <3). Era um romance que se passava em Los Angeles, sobre uma atriz enfrentando diversos problemas pessoais — a depressão, um casamento fracassado, a separação de sua filha. Eu amei o livro, mas não cheguei a resenhar ele aqui. Não me senti apta. Logo depois ele me presenteou com Slouching Towards Bethlehem, seu mais famoso livro de ensaios, e por mais que eu quisesse muito ler, acabei deixando para trás. 

Blythe Connor sonhava em ser mãe, apesar de ter crescido num ambiente familiar com muitos problemas. Tanto a mãe quanto a avó passaram longe de serem mães exemplares. Há anos ela não vê a própria mãe, que abandonou ela e seu pai quando era adolescente. Casada com Fox, vê nessa recém-formada família a oportunidade de poder fazer diferente — de ser uma mãe amorosa, acolhedora, coisa que ela nunca teve. É Blythe quem conta sua história e a história da sua família em O impulso, romance de Ashley Audrain publicado pela Editora Paralela com tradução de Lígia Azevedo. 

Não queria começar esse texto logo falando de Karl Ove Knausgård, mas não encontrei outro jeito. Quando comecei a ler sua série, Minha Luta, ficava logo pensando em como as pessoas descritas em seus livros se sentiam. É uma exposição absurda ter a sua relação com alguém escrita para o mundo todo ler, mesmo que a base da narrativa seja o próprio autor. Mas ele não vive sozinho, isolado no mundo, então outras pessoas aparecem. Linda Boström Knausgård foi uma personagem importante em seus romances, principalmente em Um outro amor, segundo livro da série onde ele abordava o casamento com ela e a paternidade. Tudo mundo sabia quem era Linda, como se conheceram, como começaram a se envolver. Mas não eram as palavras de Linda. Era tudo pela visão dele.