Histórias sobre suicidas têm um certo apelo para mim. Houve uma época, anos atrás, que eu estava numa fase de ler só sobre suicídios: As virgens suicidas, do Jeffrey Eugenides; Norwegian Wood, do Haruki Murakami; Suicídios exemplares, do Enrique Villa-Matas. O que talvez diga muito sobre o meu psicológico daqueles dias. Sempre fui voltando para essas histórias, mas com parcimônia. A desse ano foi O amigo, de Sigrid Nunez (Editora Instante, tradução de Carla Fortino), vencedor do National Book Award de 2018.  

Sim, já recebi e li o novo livro de Elena Ferrante, A vida mentirosa dos adultos (tradução de Marcello Lino). A edição que comprei foi a do clube de assinatura Intrínsecos, da editora Intrínseca, que lançará o livro no formato padrão em setembro. Quando anunciaram um novo livro de Ferrante, nem me atentei muito sobre o que ele seria. Era Ferrante, já queria, e foi assim mesmo que comecei a leitura, sabendo pouca coisa.

Vocês devem ter percebido que as leituras de não ficção andam frequentes por aqui. Ando dando mais atenção a elas, seja por me interessar pelo assunto ou por querer conhecer mais sobre algo específico. Falso espelho (Todavia, tradução de Carol Bensimon) é um desses livros que mais aguardei a leitura. Jia Tolentino apresenta uma série de ensaios que refletem sobre a autoimagem, a internet, o discurso e tudo o que envolve nos expor e consumir conteúdos online. Além disso, traz boas questões sobre como enxergamos as mulheres nessas e em outras plataformas – como a literatura.

Li Mulher, solteira e feliz, de Gunda Windmüller (tradução de Petê Rissati) a convite da Primavera Editorial para o lançamento do livro aqui no Brasil. Uma leitura que chegou no tempo certo e que tem tudo a ver comigo e o que estou vivendo agora. Eu tive poucos namoros na vida e estou solteira há quase 10 anos. Por muito tempo achei que havia algo de errado comigo por estar solteira por tão longo período – e não vou mentir que, às vezes, ainda penso isso. Também não tenho grandes pretensões de, um dia, me casar, e a cada dia penso que o único futuro possível para mim é ficar solteira para sempre. E eu não vejo isso como algo ruim.

Não há melhor momento para ler um livro como Dez drogas, de Thomas Hager (Todavia, tradução de Antônio Xerxenesky), do que este. Estamos a toda hora vendo notícias sobre a pandemia, aguardando por uma vacina, pelo momento de poder sair de casa. E o livro de Hager, além de ser uma leitura ótima para os naturalmente curiosos, faz um bom retrato de como a humanidade e a medicina se desenvolveram com a descoberta dos remédios.

Edgar Wilson trabalha recolhendo restos de animais mortos na beira da estrada. Quem já andou pelas estradas do interior sabe bem o quanto essa cena é comum: gambás, tatus, aves, cachorros, gatos, vacas… Não são poucos os animais que colidem com veículos e que assustam e até matam quem é surpreendido por eles. Mas Edgar não não se preocupa com quem atropela, e sim com o atropelado. Seu trabalho é recolher os animais, não os humanos. Ele é o protagonista de Enterre seus mortos, de Ana Paula Maia (Companhia das Letras), livro que foi finalista do Prêmio Jabuti.

Uma coisa muito comum entre o leitor médio é o endeusamento do autor. É como se, por ele ter sido capaz de escrever um bom livro, ele se tornasse um Grande Exemplar de Humano. Mas para quem acaba trabalhando no mercado editorial, conhecendo autores, se aprofundando em suas histórias, conhecendo suas vidas, você acaba percebendo que: ninguém é santo, nem aquela escritora ou aquele escritor que você tanto ama.