Desespero e exagero: Landmark e Não Gosto de Plágio

Ontem uma notícia indignou blogueiros de todas as áreas, e principalmente das que tratam de literatura.  Denise Bottmann, tradutora  e autora do blog Não Gosto de Plágio, foi processada pela editora Landmark por apresentar indícios de que houve plagio de tradução em um de seus livros. Eu vi a notícia primeiro no Livros e Afins, e logo ela se espalhou por diversos outros blogs que apoiam a iniciativa da blogueira.

O blog de Denise se destina a divulgar casos de uso indevido de traduções  por editoras brasileiras, através da comparação de diferentes edições de uma mesma obra. O que aconteceu com Denise  foi o seguinte: em seu blog, ela levantou a hipótese de que a nova edição de “Persuasão”, de Jane Austen, tenha sido plagiada pela Editora Landmark. Nos trechos apresentados por Denise, há até erros iguais de tradução de diferentes edições, como mostra o site O Livreiro em sua nota sobre o assunto.

A Landmark abriu um processo contra Denise, exigindo a remoção imediata do blog Não Gosto de Plágio e o pagamento de uma indenização por danos morais. A atitude não foi menos que exagerada. Além disso, a editora exigiu que o processo tivesse publicidade restrita, ou seja, que não fosse divulgado. Felizmente, o juiz não acatou esse pedido, nem a remoção imediata do blog na rede, alegando liberdade de expressão. Assim, Denise pode divulgar o seu caso, que está sendo apoiado por diversos blogs.

Mas por que a atitude da Landmark foi exagerada? Primeiro: Denise não foi contatada previamente pela Editora. Esta prefiriu jogar o caso diretamente na justiça. Segundo: a exigência de que o blog seja tirado do ar. Quando uma empresa é de alguma forma difamada por um jornal ou revista, ela não vai querer que fechem a redação e a tirem de circulação. A não ser que seu “dono” seja Hugo Chávez. Então por que exigir isso de um blog? Só porque ele pode ser criado facilmente não quer dizer que ele também pode ser deletado assim, do nada. Pedir a remoção do post é muito mais sensato e resolveria o problema da editora. Mas não, a Landmark se desesperou. E exagerou.

O blog do Meia Palavra publicou um texto que reúne links de diversos outros blogs que já se pronunciaram sobre o processo da editora contra Denise. Recomendo olhar todos e também fazer essa divulgação.

Cabe agora à investigação provar se a editora Landmark realmente plagiou a tradução ou não. Caso sejam comprovadas as denúncias, será mais uma vitória de Denise contra editoras sem o mínimo respeito a tradutores. Esses profissionais não recebem o devido crédito pelo trabalho que fazem, e está mais do que na hora de mudar esse quadro.