Entre o novo e o antigo: os livros sobreviverão?

Segundo Umberto Eco, sim. “O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais”, diz o autor italiano. E concordo com ele. Em recente entrevista para o caderno Sabático, de O Estado de S. Paulo, Eco falou sobre as novas tecnologias digitais que podem mudar a forma de ler. Junto com Jean-Claude Carrière, o autor escreveu Não contem com o fim do livro, falando sobre a durabilidade do livro, sua importância.

Eu até já comentei no blog Quero morar em uma livraria, onde eu vi primeiro a matéria, que ele está certo. Os livros duram muito mais. E Umberto Eco prova isso: em 5 séculos ainda usamos os livros. Já o disquete já está aposentado há alguns anos. É a argumentação dele que diz que a técnologia está, por natureza, em constante mudança. O que era novo para nós há cinco anos agora é ultrapassado. Pensamos no que tem por vir quando mal testamos o mais novo brinquedinho digital.

Essa discussão, claro, ganhou mais visibilidade ainda com o lançamento de leitores digitais. O Kindle, por exemplo, é desejo de consumo de muitos leitores, e não leitores também. Porém, na minha visão, é só mais um brinquedinho digital. Por que? Ora, pra mim a única utilidade real do Kindle é economizar espaço. Estou sofrendo com a falta de lugar onde deixar meus livros, e ter tudo em um lugar só, e compacto, seria maravilhoso. Porém, tem certas coisas nos livros que não são substituíveis.

Gosto de livro empoeirado, com a capa pendurando, as folhas amassadas, rabiscadas e borradas por terem caído na água. Gosto de acender uma vela e poder ler quando sai a energia. Gosto de pegar na mão, folhar, sentir a página. E gosto do cheiro dos livros, novos ou velhos, tanto faz. Mas qual é o cheiro do Kindle? E se o Kindle cair na água? E quando acaba a bateria no meio daquele capítulo interessante?

O Kindle pode sanar o “problema” de Nova York, onde moradores jogam os livros no lixo por não ter onde guardá-los, segundo notícia divulgada lá no Meia Palavra. Só que me faria falta todo o resto de sensações que o livro traz. Também não duvido que logo os leitores digitais estarão mais aprimorados, com soluções inteligentes para tornar a leitura ainda mais agradável. E realmente, não importa onde a leitura é feita, o que importa é ler. Mas os livros, de verdade, impressos e tudo o mais, nunca deixarão de existir.