L&PM lança coleção para neoleitores

A editora L&PM lançou uma coleção que vai dividir opiniões. É Só o Começo é uma reunião de grandes obras da literatura nacional e internacional direcionada para “neoleitores”, adultos com pouca familiaridade com a literatura e alunos até a 8ª série. Os livros sofreream adaptações no vocabulário para facilitar a compreensão dos textos, a fim de trazer para a leitura aqueles que não se interessam pelos livros por os considerarem difíceis de ler.

Além dessas alterações, os livros trazem notas sobre seu conteúdo, falando do contexto da época, referências e também dicas de outros livros e filmes que podem complementar a leitura. As adaptações foram realizadas por uma equipe de professores e especialistas em literatura, supervisada pelo professor Luís Augusto Fischer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Esses são os livros publicados nesse novo formato:

A Escrava Isaura, Bernardo Guimarães
Dom Quixote, Miguel de Cervantes
Garibaldi e Manoela: Uma História de Amor, Josué Guimarães
O Alienista, Machado de Assis
O Cortiço, Aluísio Azevedo
O Guarani, José de Alencar
Robinson Crusoé, Daniel Defoe
Romeu e Julieta, William Shakespeare
Triste Fim de Policarpo Quaresma, Lima Barreto

Além desses livros, a L&PM pretende acrescentar à coleção O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, Hamlet, e Frankenstein, de Mary Shelley. Todos os exemplares serão vendidos por R$ 12,00.

A intenção da editora é oferecer uma leitura fácil daquelas obras que geralmente assustam pelo seu vocabulário pouco familiar e pelos temas densos. Querem atrair os desacostumados com a leitura, e não afastá-los. Considero que a escolha das obras foi bem feita, pois geralmente são esses os livros que professores insistem em empurrar pela garganta do aluno. E são geralmente eles que acabam deixando uma má impressão do hábito de ler.

Não porque os livros são ruins. Eles são muito bons. Porém, é de se considerar que um adolescente que pouco lê não consegue se sentir confortável com um vocabulário do século XIX, por exemplo. E muito menos vai entender o que o livro pretende passar. Então, já que as escolas não mudam esse método de incentivo à leitura, a L&PM oferece um material de acesso facilitado à ela.

Porém, alterar o vocabulário de uma obra não seria empobrecê-la, tirar sua essência? Leitores assíduos gostam de se aventurar por outras épocas, e é justamente o vocabulário que o situa em décadas diferentes. Além disso, segundo o Diego, lá do Meia Palavra, as obras sofreram vários cortes na história, logo o leitor não estaria com a obra completa, o que os desagrada profundamente. Mas isso é uma característica daqueles que realmente gostam de ler. A editora espera que, com essa coleção, mais pessoas sejam atraídas para a literatura. E como todo leitor iniciante, é com coisas leves e descontraídas que se toma gosto por ela. O resto vem depois.

Eu sou uma grande defensora de ler a obra o mais próximo do original. Quero um dia poder ler livros que adoro no idioma em que foram escritos e, enquanto não posso, procuro pela tradução mais fiel. Contudo, aprovo essa nova coleção da L&PM, não como leitura definitiva, mas sim como material para iniciar as pessoas, principalmente adolescentes, na literatura. Melhor que leem uma adaptação mais simples do que não ler nada. Quem realmente gostar não vai deixar de procurar o livro original depois.

Só tem uma coisa que realmente odiei: olha só a forma em que colocaram as notas no livro, no meio do texto. Ficou muito confuso. Horrível!