100 anos sem Mark Twain

No dia 21 de abril de 1910 a literatura perdeu um de seus grandes autores: o escritor americano Mark Twain. Fazem 100 anos que o criador de Tom Sawyer e Huckleberry Finn foi-se dessa para, talvez, melhor. A Alinde, em seu blog, linkou a homenagem muito boa que o Blog da Cultura fez na data, falando sobre a obra de Twain e também de sua vida. Eu não li muitos de seus livros, apenas As Aventuras de Tom Sawyer e Dicas Úteis Para uma Vida Fútil. Esse último foi o primeiro lido, e foi com ele que simpatizei com Twain.

O livro reúne artigos e cartas escritas pelo autor, e é dotado de pura ironia, sarcasmo e muito bom humor. Faz uns 4 anos que o li, ou mais, nem sei. Lembro de um dos textos em que ele contava como acabou colocando mais de 40 pára-raios na casa onde morava, por causa da insistência dos vendedores e de uma certa falta de conhecimento do próprio autor sobre o produto, uma novidade na época. O melhor é a consequência do ato: uma chuva de raios que deixou a casa totalmente eletrizada. O livro todo era assim, Twain abordava  as trivialidades da sociedade em que vivia, já sendo um autor conhecidíssimo que fazia palestras e falava para multidões.

Uma das minhas partes favoritas do livro é uma carta que ele deixa para a juventude, dizendo tudo o que ela devia (e não) fazer. Esse artigo continha várias verdades, principalmente ligadas ao ensino (acho que tinha alguma coisa relacionada a jogar um tijolo nos professores). Até copiei esse texto em algum lugar, devo ter em um dos cadernos perdidos em casa. Era um artigo que eu lia com prazer e pensava: “Eu realmente quero seguir essas dicas”. Agora só teria uma crítica a fazer sobre o texto: ele não diz para a juventude ler seus livros, o que é uma recomendação essencial, porque seus romances foram importantes.

Meses depois, comecei a ler As Aventuras de Tom Sawyer. Quando li Dicas Úteis Para uma Vida Fútil, nem fazia ideia de que Mark Twain fosse autor de livros infanto-juvenis (na escola nunca ouvi falar no nome dele). E eis minha surpresa ao encontrar na biblioteca um livro dele nessa seção. Comecei a leitura de imediato, e me encantava ainda mais com o estilo do autor e suas opiniões caravadas naquelas páginas. Porque tudo o que ele dizia em sua carta para a juventude estava lá: divirta-se, faça parte de uma aventura, seja criança. E eu já sentia uma falta de inocência que as crianças parecem ter perdido atualmente. Dava vontade de voltar pros meus 8 anos de idade só para poder brincar na terra mais um pouco.

Mark Twain se tornou um daqueles caras que eu gostaria que fossem meus avôs, por mais mau-humorado que ele pudesse o parecer nas fotos, só porque ele tinha muito a dizer, e boas histórias para contar. Ainda vou ler Huckleberry Finn, aclamado como seu melhor romance, mas tem muito mais do que isso (são pelo menos 30 publicações).  O Blog da Cultura afirma que há três biografias do autor que ainda não tem previsão de sairem aqui. Mas se sairem, com certeza vou querer ler. Quem ainda não conhece Mark Twain não pode deixar de ler uma obra sua. E quem o leu, mas nem chegou perto de Dicas Úteis Para uma vida Fútil, deve correr atrás desse livro já!