Por que Harry Potter é importante (para mim)

Hoje é aniversário de Harry Potter, o personagem. Já que Voldemort não 0 matou – como muitos queriam -, hoje ele completa 30 anos. Logo, como previu a Feanari, os blogs vão pipocar com o assunto. A Alinde me incentivou a fazer esse post, porque foi através de Harry Potter que tudo isso aconteceu. Isso tudo o que? Eu ser uma leitora, assídua, eu ter esse blog, eu amar literatura.

Há poucos dias li esse comentário no blog do Antônio Xerxenesky (que fique claro que não foi um comentário do Xerxenesky): “Harry Potter só forma futuros leitores de Paulo Coelho”. Errado. Comecei, posso dizer, lendo Harry Potter, e nunca nem toquei em um Paulo Coelho. Muito pelo contrário. Continuo lendo o que há de puro entretenimento na literatura, mas também ganhei forçar para enfrentar um Eça de Queirós e Machado de Assis. Logo, sou uma assídua defensora de Harry Potter. Mas nem sempre foi assim.

Quando começaram a surgir os filmes baseados na série de J. K. Rowling, eu não dava a mínima para a história. Até chegava a desprezar, dizendo que era coisa para criança. Eu tinha recém feito 15 anos quando o terceiro livro da série, O Prisioneiro de Azkaban, chegou em minhas mãos. Comecei a ler por puro tédio e não consegui mais parar. Amei o livro. Meus pais não quiseram me dar os livros até então lançados, e assim que ganhei um computador parti para o download (desculpa). Li todos os 5 livros disponíveis, bem fora de ordem mesmo. Agora sim, estava completamente presa na série.

No ano seguinte, no meu aniversário, finalmente consegui ter os livros em mãos. Já tinha até lido uma tradução “clandestina” do sexto capítulo da saga, lançado naquele ano. Mas consegui todos os 6, e os reli inúmeras vezes. Emprestei para os maiores amigos da escola, aqueles interessados em literatura, e não perdi uma ida ao cinema para ver as adaptações – que não são boas, diga-se, mas vejo pelo amor à série.

Não estava realmente preocupada com o final que a autora daria à aventura de Harry Potter depois de anos acompanhando. Logo, não fiquei nem feliz nem triste como desfecho da série, que também li “clandestinamente”. Ganhei o livro meses depois do lançamento e o li de novo, triste por não ver mais aventuras do bruxo, mas nem um pouco indignada com o final. Passei momentos bons demais lendo a saga dos bruxos ingleses, e o que vale no fim são todas essas emoções que tive ao ler os livros. Como chorei ao ver grandes nomes da série morrendo!

Mas o que faz de Harry Potter assim tão importante? Certamente não é o personagem, Harry, que muitas vezes é um completo chato, nem seus melhores amigos, Ron e Hermione. Mas sim o que veio depois. Eu sempre gostei de livros, mas também tinha muita preguiça para cultivar o hábito de ler. Até Harry Potter, nunca li religiosamente. Entretanto, depois de terminar as primeiras leituras da série, não conseguia mais me desprender de uma história escrita. Virei frequentadora assídua da biblioteca da cidade e da escola. Conheci Agatha Christie, conheci Tolkien. Li o Apanhador no Campo de Centeio, comecei a dar atenção às histórias sobre Rei Artur. Enfim, não fiquei mais nem uma semana sem um livro na bolsa.

Agora tenho esse blog, e com ele descobri o quanto gosto de falar e discutir sobre literatura. Meu sonho é poder trabalhar apenas com livros, algo que nunca pensei em fazer antes. Tudo por causa de uma fantasia “boba” sobre bruxos e magia, que para mim é uma das melhores histórias que já fizeram. Foi com Harry Potter que aprendi o poder que um livro tem de prender e ensinar, e foi com ele que tive vontade de ver cada vez mais coisas diferentes dentro desse mundo. Por isso, parabéns, Harry, e obriga Rowling por ter iniciado tantas pessoas à literaura. E prometo ficar longe de Paulo Coelho.