Desaparecidas, de Chris Mooney

Ser um thriller já é meio caminho andado para um livro despertar interesse. Pessoas gostam de ler sobre serial killers, investigações que mechem com sua cabeça, que desafiam seu senso de antecipar movimentos. Particularmente, thrillers são os primeiros livros que chamam a atenção na prateleira, por presumirem histórias impossíveis de largar e fáceis de terminar. Assim parecia ser Desaparecidas, de Chris Mooney, mas não foi esse o seu efeito.

O livro é o primeiro de uma série de histórias com a investigadora Darby McCormick, da polícia de Boston. Em Desaparecidas, ela enfrenta o perigo desde cedo. Aos 16 anos, ela e mais duas amigas presenciam um assassinato. Melanie e Stacey são brutalmente mortas, e Darby é a única testemunha a sobreviver. Mais de 20 anos depois, a vemos na mesma cidade, trabalhando como investigadora e envolvida no caso do desaparecimento de uma adolescente. Ela não faz ideia de que a pessoa por trás desse novo crime está ligada a muitos outros, incluindo a morte de suas duas melhores amigas.

É possível perceber que a história não é centrada na investigação em si, mas na vida de Darby. Mooney tenta explorar os sentimentos da garota assustada que viu uma mulher ser morta em um bosque e contrastá-los com a adulta que agora caça criminosos. Seria interessante, não fosse as falhas que o autor comete durante toda a narrativa. Começando pelo caráter descritivo — ele não se preocupa muito em narrar como são suas personagens fisicamente, e nem as cenas à sua volta. A impressão que fica é que o livro está cheio de lacunas para serem preenchidas pelo leitor, que se perde na rápida passagem entre uma cena e outra.

Assim, o tratamento que o autor dá às personagens é o ponto mais dramático. Por exemplo, a própria protagonista não possui uma descrição detalhada sobre seus atributos físicos e mentais, coisas que o autor prefere deixar de lado para inserir apenas em pontos estratégicos da trama, onde acha conveniente que sejam citados, como se houvesse esquecido de dizer como Darby era, e inserido esses dados forçadamente. Logo, nenhuma personagem tem potencial para simpatizar o leitor.

Outro ponto incômodo na leitura é a forma demasiadamente simplista da narrativa. Mooney não procura usar sinônimos ou figuras de linguagem. São palavras jogadas cruamente na trama que se repetem incansavelmente, o que pode ser resultado de uma tradução defeituosa. Mesmo com frases curtas, as palavras e termos repetidos cansam e irritam qualquer leitor um pouco mais exigente. É possível encontrar um único nome repetido mais de cinco vezes em um parágrafo de 6 linhas.

As passagens mais interessantes em Desaparecidas são aquelas sem a presença de Darby. Desde o início, Mooney apresentou o assassino, mas mantendo certo suspense. O autor mostrou sua história e os métodos que usa na abordagem de suas vítimas. No início, é animador ver que ele tem espaço tão grande dentro da trama. Porém, é desapontador ver que no final não é dada nenhuma explicação psicológica sobre as suas motivações. Que ele é psicótico todos já sabem, mas faltou uma teoria para dar mais sentido às suas ações.

Desaparecidas termina com saldo negativo. Uma história crua demais, com passagens pouco detalhadas que confundem a leitura obrigando que trechos sejam lidos mais de uma vez até que se possa encaixar um fio ao outro. Isso não quer dizer que é um romance de leitura difícil, mas faltam aspectos que prendam realmente a atenção a cada novo parágrafo. Ele é previsível, o que deixa qualquer leitor desapontado ao constatar que não há nenhum grande mistério por trás da história, apenas mais uma caçada em forma de literatura.