Na África Selvagem, de Mark Seal

Capa de Na África selvagem

Em 2006, a ambientalista Joan Root foi assassinada com vários tiros de AK-47, dentro de sua casa à beira do lago Naivasha, no Quênia. A polícia, inicialmente, disse se tratar de uma tentativa de assalto. Porém, os indícios dizem o contrário. Muitos podem nem saber quem é Joan Root e o que ela fez pela África, mas terão conhecimento disso a partir de Na África Selvagem, a história da ambientalista contada pelo jornalista Mark Seal.

Autor de grandes reportagens para revistas como a Vanity Fair, Seal se interessou pelo caso de Joan ao ler uma pequena nota sobre seu assassinato. Entrou em contato com conhecidos dela a fim de fazer um artigo sobre a trajetória da grande mulher que sempre foi apaixonado pelos animais e a natureza africana. Tentou entrar em contato com seu ex-marido, o cinegrafista Alan Root, com quem ela vivera durante muitos anos, viajando, acampando em meio à selva e ajudando em seu trabalho. Alan atendeu a Seal, e lhe deu muito mais do que o jornalista esperava. Deu-lhe uma história de vida.

Na África Selvagem narra a história de Joan e, de certa forma, do próprio Quênia. O país africano, um dos mais pobres do continente, passou por constantes conflitos, e Seal apresenta não só as pessoas envolvidas com Joan, mas o próprio contexto social em que ela vivia e como estava o país onde cresceu. Entretanto, a maior parte do livro está centrada no relacionamento de Joan com Alan, duas pessoas extremamente diferentes, mas perfeitas como um casal.

Joan sempre foi dedicada. Linda, loira e alta como uma modelo, nutria uma timidez extrema. Seu maior contato com a natureza começou logo depois da adolescência, ao auxiliar os pais, fazendeiros de café, a organizarem safáris para turistas. Em um desses programas, encontra Alan Root, um jovem cinegrafista, expansivo, egocêntrico, e igualmente charmoso. As investidas de Root que, de início, parecem não surtir efeito, causam boa impressão na jovem ao resgatarem um filhote de elefante. Nasce um grande romance.

Através de depoimentos de Alan, cartas de Joan para a mãe e inclusive seu diário, Seal remonta essa relação, relatando as principais aventuras pelas quais Joan e seu marido passaram. Seal a retrata como uma mulher extremamente inteligente e organizada, sempre dedicada à família. Por ele, enfrentava os maiores perigos, e se divertia passando inúmeras semanas acampada em lugares remotos à procura de um take perfeito. Joan era quem planejava cada passo de Alan, a pedido dele, é claro, e atuava como produtora não-oficial de seus filmes, que durante anos figuraram entre os melhores vídeos sobre a vida animal.

Mas a história de Joan Root, como se espera, começa a ficar triste. Sua extrema lealdade ao marido não impede que ele a deixe para ficar com outra mulher. Desolada, Joan aceita calada essa separação, sonhando com a volta do marido. Impossível não se indignar com as atitudes de Alan e também de Joan, por jogarem fora, ou não lutarem, por uma união que funcionava tão bem. A partir desse ponto, Joan se volta ainda mais para os animais. Ainda mais com o lago na beira de sua casa sendo constantemente ameaçado pelas plantações de flores em propriedades próximas à sua, e da migração de povos pobres para trabalhar nesses campos.

Pobreza, corrupção e descaso permeiam essa parte da biografia de Joan. Aqui, Mark Seal relembra como as grandes propriedades em volta do lago largaram o café e se voltaram para a floricultura, fazendo dela a principal fonte de renda do Quênia. Joan vê aos poucos a biodiversidade da região definhando, e começa a lutar junto aos fazendeiros para garantir a preservação, e contra os pescadores clandestinos que secam o lago Naivasha. Todo esse empenho em conservar a natureza do local se voltam de forma violenta contra ela, tornando seus últimos anos de vida um verdadeiro caos.

Na África Selvagem é um livro intenso sobre paixão e empenho, tanto relacionado a uma pessoa quanto a toda a natureza de um continente. Na vida de Joan Root havia espaço para cuidar de todos em sua volta, principalmente dos elefantes, linces, hipopótamos e outras espécies que enchiam, na década de 60, os campos africanos. Narrado de forma emocionante por Mark Seal, a história de Joan com certeza merece toda a atenção.


 

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