Na 56ª Feira do Livro de Porto Alegre

Ontem terminou mais uma edição desse evento que lota a Praça da Alfândega de Porto Alegre. Se bem que, nesse ano, obras na praça forçaram a 56ª Feira do Livro de Porto Alegre a se instalar nos seus arredores, com direito a uma passarela que cruzava a obra e mostrava suas estátuas enroladas em lona preta. Não era uma visão muito bonita, mas o que importava eram os livros, certo? Na Feira do Livro desse ano, prometi para mim mesma ir em pelo menos uma palestra, uma mesa. Não cumpri. O que me interessava acontecia em horários que não batiam com meu trabalho e aulas, e nos dois sábados que fui (o primeiro e o segundo), foram exclusivamente para passear.

Porque é bom andar pela Feira em volta das bancas, olhando os livros, avaliando se vale a pena comprá-los ou não. Na minha primeira experiência com o evento, em 2007, saí de lá com um livro. Em 2008, com nenhum. Em 2009 nem fui – a vontade de ficar em casa no conforto do ar-condicionado foi mais forte. Mas esse ano resolvi ser mais social, ir na Feira, conhecer pessoas e, se o dinheiro permitisse, comprar. Pegueio Thui (meu namorado) e o arrastei para lá. O saldo? Ele saiu de lá na nossa primeira ida com: Cabeça Tubarão, A Divina Comédia e Peanuts Completo vol. 1. No segundo sábado, ele ainda comprou O Dia do Curinga e eu A Questão dos Livros e Gênesis. Logo, para nós, foi um sucesso de compras, mesmo achando muito pouco o desconto de 20% que as bancas dão.

Considero que essas aquisições não foram o melhor da Feira, mas sim as pessoas que encontramos lá. No primeiro sábado, conhecemos a Viviane, membro do fórum Omega Geek, do qual participamos, e comemoramos seu aniversário, aproveitando a ida à Feira. No segundo, foi a vez de sentar no Bistrô do MARGS e olhar o movimento jogando conversa fora com a Lu Thomé, para logo depois ver a sessão de autógrafos de Crime na Feira do Livro, do Tailor Diniz – e dias depois descobrir que ele é finalista do Açorianos de Literatura. Até encontrei o Rodrigo Dias lá, sem querer! Sem falar que na quinta-feira anterior dei uma passada rápida no Café do MARGS para finalmente conhecer a Lu, onde também estavam o Delfim, que conheci na FLIP desse ano, e o Eduardo Menezes, autor de A Copa que Interessa (que não li, mas adorei a pessoa) e agora tá envolvido com o Art Goes Porn. Para mim, passar um tempo com esse povo, mesmo que curto, foi mais importante do que os livros comprados. Muito mais.

No fim acabei gostando mesmo da Feira desse ano, já que nos outros anos mal fui por achar que não valia a pena. Acho que é bem o que o Carlos André Moreira disse no Mundo Livro ontem: a Feira do Livro é um lugar para as pessoas se encontrarem em meio aos livros. Foi isso o que eu fiz lá, e aproveitei o máximo que pude. Porque se  a intenção é ir apenas para comprar, desista: todas as livrarias da região dão em suas próprias lojas os mesmos 20% de desconto que a Feira dá – sem falar nas grandes redes que dão mais ainda. Pena que ela acabou com um episódio lamentável da escritora Telma Scherer sendo levada à delegacia durante uma performance na Feira. Episódio vergonhoso que esperamos que nunca mais ser repita.