Oeste, de Carys Davies

Capa de Oeste de Carys Davies

Oeste, de Carys Davies (Alfaguara, tradução de José Rubens Siqueira) é um pequeno romance sobre saudades e esperança. Cy Bellman é um viúvo simples que fica encantado com a notícia de que ossos de grandes animais desconhecidos foram encontrados no Kentucky. Ele decide deixar sua pequena propriedade na Pensilvânia para procurar por essas criaturas, acreditando que elas ainda possam existir. Mas para ir atrás de seu sonho – encontrar algo grandioso, viver uma aventura –, ele deve deixar para trás sua filha, Bess, aos cuidados de sua irmã, fazendo a promessa de voltar em dois anos e escrever sempre que possível.

Bess é uma menina sonhadora como o pai, e sente imensas saudades da mãe falecida. Ela entende que Cy não ficará sossegado se não partir para essa expedição, mas não esconde o medo de que ela possa vir a perdê-lo também – como saber que criaturas ele encontrará no oeste dos EUA? Os receios de Bess não fazem Bellman desistir de sua viagem, então ele parte confiando que a irmã e um ajudante de sua propriedade tomarão conta dela.

Carys Davies é bem simples em sua narrativa. Os diálogos são ágeis, e ela consegue transmitir os sentimentos das personagens em poucas frases. Logo você nota que o que move Cy Bellman não é só o gosto pela aventura, mas também o vazio que a morte da mulher deixou em sua vida. Constantemente ele pensa na vida que tinham juntos, nos sonhos que alimentavam, e perdê-la tão de repente foi um choque grande para esse homem pacato. O mesmo sente Bess: ela ainda imagina que sua mãe possa voltar, que o seu pai retornará para casa com ela e os três voltarão a ser a família feliz que eram. Não precisa de muito para sentir a tristeza do pai e da filha e notar como a saudade que sentem da mãe, e um do outro, só aumenta com o passar do tempo.

Os perigos existem tanto nas terras inexploradas do oeste quanto na Pensilvânia. Enquanto Cy enfrenta dias solitários e ameaças dos índios – terras que, claramente, ele invade –, Bess cresce e começa a chamar atenção de quem justamente deveria ajudar a protegê-la. Mas Bellman “conquista” a companhia de Velha de Longe, um jovem de origem shawnee que entende muito melhor a região que percorrem, mas que não fala uma palavra do idioma do homem branco. Já Bess se vê desprotegida no vilarejo que sempre lhe foi seguro, pois sua tia não percebe as tentativas de avanços que o capataz faz para cima da menina.

As cartas que Cy escreve para Bess nunca chegam. Ele confia muito na bondade das pessoas que encontra em sua jornada, pois é um homem bom em sua origem. Não é como se as pessoas tentassem passar a perna nele, apenas imprevistos acontecem, e as cartas que prometiam colocar nos correios acabam esquecidas. Apesar de não receber nenhuma notícia do pai, Bess não se deixa abater e nem espera pelo pior: esperançosa como é, tem certeza que o pai voltará, que logo logo ela o verá caminhando para casa.

E é isso que faz de Oeste um livro belo: as coisas escalam para um fim trágico, mas em momento algum pai e filha perdem a esperança de se reencontrarem. É uma história realmente breve, simples, que pode não se destacar tanto assim na memória, mas não deixa de ser uma leitura bonita e bem narrada.


Ficou com vontade de ler? Encontre aqui Oeste, de Carys Davies.

Para ler também:
Paraíso e inferno, de Jón Kalman Stefánsson