As melhores leituras de 2018

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Chegou a hora da lista definitiva de melhores leituras de 2018! Eu já tinha dado uma amostra do que mais me empolgou nesse ano aqui, e como dá para ver, tem coisa que permaneceu, tem coisa que saiu. 

Foi um ano não muito diverso, tenho que confessar. Li menos mulheres do que gostaria, li poucos autores brasileiros (Samir Machado de Machado, Clarissa Wolff e Gustavo Melo Czekster – ou seja, dentre 30 e poucos apenas três), li muitos americanos e ingleses, como sempre. Mas uma coisa legal foi que li mais asiáticos, que não costumo ler tanto (e não, Murakami não está entre eles).

Então temos nessa lista: 5 norte-americanos; 1 inglesa; 1 chinesa criada nos Estados Unidos; 1 russo; 1 brasileiro; e 1 japonesa.  

A lista não está na ordem de preferência, e meu critério na escolha das melhores leituras é: aquelas que mais me animaram, que mais me fizeram pensar “caceta, como sou feliz lendo isso”. 

Então é isso! Aproveitem para deixar suas indicações de leitura nos comentários, obrigada por mais esse ano aqui no r.izze.nhas e até 2019! 😀 

4 3 2 1, de Paul Auster

Capa de 4 3 2 1, de Paul Auster

Comecei o ano lendo esse calhamaço do Paul Auster que apresenta quatro linhas narrativas sobre uma mesma pessoa. Da infância até a entrada na vida adulta, acompanhamos Archie Ferguson nessas vidas diferentes, mas que conservam características que as escolhas e caminhos tomados não alteram. 4 3 2 1 (Companhia das Letras, tradução de Rubens Figueiredo) é desses livros que crescem na memória conforme você relembra ele: sei que não gostei muito do final logo que terminei a leitura, mas meses depois minha opinião já tinha mudado e eu amei completamente. Pode parecer pouco animador ler mais de 800 páginas sobre uma mesma pessoa, em quatro versões diferentes, mas sério, não é nada disso. Archie é uma personagem apaixonante demais, e 4 3 2 1 é o livro certo para você mergulhar nas férias. 

Trilha sonora para o fim dos tempos, de Anthony Marra

Capa de Trilha sonora para o fim dos tempos, de Anthony Marra

Eu nem lembro direito o que me chamou a atenção nesse livro quando vi entre os lançamentos, mas me deu uma vontade de ler contos naquele momento que logo peguei. E que escolha boa eu fiz. Trilha sonora para o fim dos tempos (Intrínseca, tradução de Sergio Flaksman) pode ser lido como um romance, pois todos os contos se ligam em algum momento e as personagens interferem uma nas histórias das outras – mesmo depois de muitos anos e sem terem se encontrado. Começa com um pintor que trabalha para a censura do governo soviético, apagando de fotos e quadros as personas non gratas do regime, passando por uma bailarina aprisionada, por uma atriz e até por golpistas, tudo na Rússia e na Chechênia entre os anos 1930 e anos 2000. São histórias sobre o tempo, a memória, o amor e a ligação entre as pessoas, e o conjunto todo é lindo demais. Se alguém procura contos para ler, recomendo fortemente.

Lightning Rods, de Helen DeWitt

Capa de Lightning Rods, de Helen DeWitt

Lightning Rods foi meu segundo contato com Helen DeWitt, uma autora não muito conhecida aqui no Brasil. Mas devia. Esse livro é o retrato do absurdo: um vendedor fracassado de aspiradores de pó decide vender um “produto” para empresas que visa evitar o assédio sexual entre o ambiente de trabalho. O produto: mulheres profissionais e bem capacitadas que também oferecem sexo aos seus colegas com boas performances profissionais. Não é prostituição (é), segundo o protagonista: é um alívio para as tensões do escritório. Só Helen DeWitt poderia escrever uma história dessas, assim como só um homem poderia ter tido uma ideia doida dessas. O livro gera assombro, raiva, nervoso, mas também riso. Sério, leiam essa mulher.

Feel Free, de Zadie Smith

Capa de Feel Free, de Zadie Smith

Essa foi minha leitura mais recente, e não estaria entrando aqui na lista se não fossem os últimos ensaios do livro. Amo demais Zadie Smith como ficcionista, mas não tive tanto contato com seus textos de não ficção, até ler Feel Free. Gostei muito que já no começo ela fala que suas opiniões e ideias nesses textos são frutos de sua curiosidade e interesse, e que ela não é de forma alguma especialista em sociologia, política, história e outros temas que acabam aparecendo nos ensaios. Então o leitor tem todo o direito de discordar de suas ideias e argumentos, assim como ela tem todo o direito de escrever sobre o que lhe interessa. E os interesses são muitos – arte, política, séries de comédia, filmes e, claro, literatura. Meu deus, ela consegue juntar Justin Bieber com o filósofo Buber! Mas o que mais gostei foram os ensaios mais pessoais, contando sua história e a história de sua família, suas ideias de como separar o autor da obra, de como contar histórias é uma forma de liberdade. Bonito demais. 

Tupinilândia, de Samir Machado de Machado

Capa de Tupinilândia, de Samir Machado de Machado

Único brasileiro dessa lista (mas recomendo forte vocês lerem o Gustavo Melo Czekster e a Clarissa Wolff também, por favor), Samir Machado de Machado é um autor que eu admiro demais por escrever romances de gênero e ter uma escrita magnífica. Tupinilândia (Todavia) é um desses romances que mistura referências do passado (anos 1980!!!) com o cenário atual, onde o pessoal desmemoriado sonha com a volta de uma ditadura militar. Isso tudo num parque à lá Disney no meio da floresta Amazônica. O resultado é um livro que mistura aventura, suspense e uma dose absurda de gente doida – seja o doido que quis criar Tupinilândia ou os doidos que o tomaram depois. É uma leitura demais para se fazer neste momento, mesmo. 

Querida Konbini, de Sayaka Murata

Capa de Querida Konbini, de Sayaka Murata

Eu sou apaixonada por personagens esquisitinhas, e a protagonista de Querida Konbini (Estação Liberdade, tradução de Rita Kohl) é uma dessas, o que me fez logo querer ler esse livro. Keiko tem 36 anos e trabalha há muito tempo numa konbini, as lojas de conveniência japonesas, um trabalho considerado ruim para ela – ou os funcionários são estudantes, ou são mulheres casadas querendo ajudar na renda de casa, o que não é o caso dela. Keiko sempre se sentiu meio deslocada do mundo, desde criança ouviu que seus pensamentos e ideias não eram “normais”, e na konbini encontrou uma forma de se ligar a ele, observando atentamente os clientes e seus colegas. É um romance bem leve e curto sobre o que é ser normal e que retrata relacionamentos e visões do Japão atual. Bem bacana. 

Flores para Algernon, de Daniel Keyes

Capa de Flores para Algernon, de Daniel Keyes

Não imaginei que seria tão impactada com a história de Charlie Gordon e seu “ratinho de estimação”. Flores para Algernon (Aleph, tradução de Luisa Geisler) é um clássico da ficção científica em que o protagonista é cobaia de um procedimento que potencializa sua inteligência: de um QI baixíssimo ele se torna mais inteligente que os próprios cientistas que o “criaram”. E isso cria todo um conflito em Charlie, porque apesar de aprender rapidamente e possuir agora uma linguagem e capacidade muito maior, ele ainda não é emocionalmente desenvolvido, e o antigo e o novo Charlie entram em conflito. Uma história bonita demais e triste triste triste que merece muito ser lida. 

Coração azedo, de Jenny Zhang

Capa de Coração azedo, de Jenny Zhang

Jenny Zhang nasceu na China, mas quando criança foi levada pelos pais para os EUA. Coração azedo (Companhia das Letras, tradução de Ana Guadalupe) reúne contos que tratam das dificuldades dos imigrantes chineses em Nova York narrados pelo ponto de vista das filhas e filhos divididos entre a tradição da família e os costumes americanos que começam a seguir. São histórias pesadas e intensas sobre as brigas entre pais e filhos, a miséria, as expectativas, as cobranças, enfim, tudo o que envolve o choque entre duas culturas e a vontade de alguns de mudar, enquanto outros querem permanecer do jeito que são. As personagens constantemente estão arrependidas e amarguradas, e esse azedume não se trata apenas de um sabor que uma das protagonistas mais gosta, mas no centro de todas as relações descritas no livro. 

The Broom of the System, de David Foster Wallace

Capa de The Broom of the System, de David Foster Wallace

Posso classificar The Broom of the System como um Graça infinita light. Primeiro romance publicado de David Foster Wallace, se passa nos anos 1990 e acompanha uma garota meio perdida na vida, em um relacionamento estranho com seu chefe, confusa com sua cacatua espontaneamente falante e lidando com o mistério do desaparecimento de sua bisavó de um asilo. Situações esquisitas, famílias disfuncionais e muitas palavras doida: é David Foster Wallace, pronto. Como já disse antes, eu sou fã de pessoas esquisitas, e aqui está cheio delas. 

O mestre e Margarida, de Mikhail Bulgákov

Capa de O mestre e margarida, de Mikhail Bulgákov

E para terminar, o livro que mostra que a gente pode dar gostosas gargalhadas mesmo quando tudo parece estar desmoronando (alô, Brasil). Mikhail Bulgákov não viu o sucesso que O mestre e Margarida (Alfaguara, tradução de Zoia Prestes) se tornou, pois o romance foi publicado anos após a sua morte. Enquanto estava vivo ele duvidava que seu livro seria publicado: trata-se da chegada do diabo na Moscou soviética, que toca o terror na classe artística e burocrata da cidade. Aquela cutucada amiga no regime, sabe como é. Woland e seu séquito – que entre os membros possui um gato gigante que fala – desafiam a realidade dos moscovitas. Não é uma questão de acreditar no diabo ou não, mas de enxergar o que está acontecendo bem na frente da sua cara. O mestre e Margarida é a união de escrita maravilhosa com aquele humor sacana que é bom demais. 


É isso! Como falei lá em cima, deixem nos comentários sugestões bacanas de leitura do ano que vem e, claro, suas próprias listas de melhores leituras. Agradeço demais! 

Ficou afim de ler um desses livros? Encontre abaixo as obras citadas nesse post: 
– 4 3 2 1, de Paul Auster
– Trilha sonora para o fim dos tempos, de Anthony Marra
– Lightning Rods, de Helen DeWitt
– Feel Freede Zadie Smith
– Tupinilândia, de Samir Machado de Machado
– Flores para Algernon, de Daniel Keyes
–  Coração azedo, de Jenny Zhang
– The Broom of the System, de David Foster Wallace
– O mestre e Margarida, de Mikhail Bulgákov

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