Minhas 5 melhores leituras de 2019

Quem acompanha o r.izze.nhas há algum tempo sabe que essa lista de melhores leituras do ano costuma ter mais livros. Não é que e li menos em 2019 – embora, sim, eu não tenha lido tanto assim -, mas escolhendo o que entraria na minha lista definitiva, decidi ser mais criteriosa nessa seleção.

Como sempre, essa lista é PESSOAL E INTRANSFERÍVEL, e não se trata de livros lançados neste ano, mas sim das leituras que fiz independentemente de quando elas foram publicadas. Aí vai.

1- Calibã e a bruxa, de Silvia Federici

Silvia Federici dominou minha lista de leitura esse ano. Fiquei adiando começar Calibã e a bruxa (Editora Elefante, tradução do Coletivo Sycorax) achando que seria teórico demais, cabeçudo demais pra mim. Pois não era. Li avidamente e com aquela vontade de destruir o patriarcado e o capitalismo enquanto entendia mais e mais a teoria de Federici. Entender como a sociedade oprimiu a mulher, e como essa opressão continua acontecendo, é imprescindível para entender a nossa luta e nosso real lugar no mundo.

Aqui tá a resenha.

2- Pastoral americana, de Philip Roth

Segundo romance que li de Philip Roth, Pastoral americana (Companhia das Letras, tradução de Rubens Figueiredo) é já um clássico moderno e um livro que apresenta os temas recorrentes do autor. Muito se ouve dizer que ele é misógino, que seus livros são puro ~drama-do-homem-branco-de-classe-média-coitado~, e, apesar de entender de onde vem essas críticas, tenho que dizer que ele está bem longe disso. Sim, seus personagens são predominantemente masculinos, sim, eles vivem em uma crise que não se compara aos grandes problemas do mundo. Mas isso é ignorar que crises internas são tão devastadoras quanto as externas, e que homens podem oferecer relatos incríveis sobre elas – mesmo que a gente não goste de admitir. A história do Sueco foi assim: é um drama de um homem que não entende as motivações da filha, que tem uma visão de mundo cor-de-rosa que desaba totalmente por causa das ações dela. E ele ainda quer entender, ainda quer saber quem é no meio disso tudo. É bonito demais.

Aqui tá a resenha.

3- Maternidade, de Sheila Heti

Esse é o livro pelo qual sempre esperei. Maternidade (Companhia das Letras, tradução de Julia Debasse) é uma mistura de ensaio e ficção sobre a questão de ser mãe. A protagonista é uma escritora que nunca quis ter filhos, mas ao se aproximar dos 40 anos, o limite da fertilidade feminina, ela se questiona sobre a possibilidade de engravidar. Eu sempre torci a cara para histórias em que mulheres ficam nesse embate de ter um filho ou não e no final decidem que vão ser mães sim, apesar de todas as dúvidas e dificuldades. Parece que essas histórias impõem essa coisa de “instinto materno” a todas as mulheres da literatura. Sheila Heti subverte tudo isso. Ela é egoísta por não querer ser mãe? Sim, mas também não é egoísta ter um filho só para se sentir realizada na vida, para salvar um casamento, para saber “como é que é”? Tem muito mais sendo discutido no livro, e me senti 100% contemplada por ele.

Aqui tá a resenha.

4- Origens, de David Christian

Mais um livro de não ficção pra lista. Esse ano até que me dediquei bastante a essas leituras. Origens (Companhia das Letras, tradução de Pedro Maia Soares) é uma tentativa de contar a história de todos nós. Uma história unificada, que parte do princípio do universo até a sociedade como é hoje. Apesar de todas as culturas diferentes, histórias e tradições, não podemos negar que todos nós vivemos num mesmo planeta, somos descendentes de uma mesma espécie antiga, evoluímos desse mesmo indivíduo. Respeitando as diferenças, Christian quer mostrar, com base na ciência, como todos nós temos uma “origem” em comum. Adorei a maneira com que ele mistura conhecimentos (matemática, física, química, antropologia, história etc.) para oferecer esse panorama de como chegamos até aqui.

Aqui tá a resenha.

5- O ponto zero da revolução, de Silvia Federici

Sim, ela de novo. Nunca num ano li tanta teoria feminista, seja em livros ou em outros tipos de textos. 2019 exige isso da gente. E O ponto zero da revolução (Editora Elefante, tradução do Coletivo Sycorax) oferece outro ponto de vista da opressão feminina que persiste nos dias atuais, dessa vez sob o viés do trabalho doméstico. Durante os anos 1970, Federici foi ativista pela remuneração do trabalho que as mulheres realizam em casa. O livro reúne uma série de artigos da autora, daqueles tempos até hoje, que discutem esse assunto. Além da questão do trabalho gratuito que as mulheres realizam para a produção de mão de obra do capitalismo, ela mostra também como a globalização contribuiu para a precarização do trabalho da mulher. Votamos, trabalhamos com o que queremos, temos direitos, mas ainda ganhamos menos – ou nem ganhamos.

Aqui tá a resenha.

Bem, essas foram as cinco leituras que mais mexeram comigo em 2019. Por pouco não entraram nessa lista livros como Meu ano de descanso e relaxamento, de Ottessa Moshfegh, ou Humilhados e ofendidos, de Fiódor Dostoiévski, ou Digo te amo para todos que me fodem bem, de Seane Melo. Mas conforme vou sendo mais rigorosa com minhas escolhas de leitura – leio o que acho que será bom, e o que não está bom eu abandono -, fica mais complicado decidir o que realmente me marcou muito. Por mais que a ficção seja necessária para a minha vida, senti que e 2019 eu precisava mesmo era de informação. Para entender, para discutir, para não pirar.

Até agora, foram 29 livros lidos. Provavelmente o ano termine com 30. É pouco comparado com a quantidade de leituras que existem e que quero fazer, mas muito comparado com o tempo – e saúde mental – que todos nós temos para absorver informação de qualidade.

E ano que vem continua. Obrigada de novo por mais um ano aqui comigo. <3


Ficou com vontade de ler? Aqui vão os links para encontrar os livros do post:
Calibã e a bruxa, de Silvia Federici
Pastoral americana, de Philip Roth
Maternidade, de Sheila Heti
Origens, de David Christian
O ponto zero da revolução, de Silvia Federici

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