10 livros dos anos 2010

10 livros dos anos 2010

Entramos em 2020. Enquanto rola a discussão de se estamos numa nova década ou não, eu decidi já fazer a minha lista dos 10 livros favoritos dos anos 2010, lançados entre, dã, 2010 e 2019.

Eu sei, não “existe ano zero”, então a próxima década começa em 2021. Mas isso me dá uma angústia danada, porque a verdade é que OS CARAS QUE DEFINIRAM O CALENDÁRIO QUE USAMOS NÃO SABIAM DA EXISTÊNCIA DO NÚMERO ZERO. E AGORA ELE EXISTE, TÁ. Então, aqui no meu site, eu posso pelo menos corrigir isso. Rs.

Diferente da lista de melhores leituras do ano, esta leva em conta o período em que os livros foram publicados. Obviamente, li nesse tempo coisas que amei e que são clássicos publicados há 200 ou 30 anos. Então a proposta, aqui, é me concentrar na produção dos anos 2010. Pois aí vai.

1- Lincoln no limbo, de George Saunders

Este não é surpresa para ninguém. Publicado em 2017, é uma das melhores coisas escritas não só nos últimos 10 anos, para mim, mas um dos melhores de sempre. Neste romance melancólico, um grupo de fantasmas conta a história da morte de Willie Lincoln e da tristeza do seu pai, Abraham Lincoln (ele mesmo, o presida). Saunders usa uma estrutura bem original ao incluir no livro dezenas de vozes que compõem um retrato amplo sobre o período da Guerra Civil americana, a segregação, as injustiças, os amores e as tristezas de cada personagem. Essas vozes se sobrepõem umas às outras, se interrompem, falam todas ao mesmo tempo. Parece algo caótico, mas conforme você pega o ritmo, fica lindo demais.

Leia a resenha aqui.

2- Tetralogia Napolitana, de Elena Ferrante

Capa de A amiga genial

Os anos 2010 foram tomados pela Ferrante Fever, e não posso deixar isso de fora. Elena Ferrante começou a publicar em 1991 e já era bem conhecidinha na Itália, mas ganhou o mundo em 2011 com o lançamento de A amiga genial, primeiro livro da Tetralogia Napolitana. A amizade conturbada de Lila e Lenu é o combustível para um romance sobre a liberdade das mulheres, suas ambições, as transformações da Itália no século XX, o machismo… Enfim, dramas mil. É um bom novelão da mais alta qualidade, onde amamos e odiamos todas as personagens ao mesmo tempo. Poucos livros me deixaram tão impactadas quanto esses.

Leia a resenha aqui.

3- Trilha sonora para o fim dos tempos, de Anthony Marra

Resenha de "Trilha sonora para o fim dos tempos"

Anthony Marra é um autor do qual nunca sequer tinha ouvido falar antes do lançamento de Trilha sonora para o fim dos tempos no Brasil. O que me chamou a atenção foi o título, e ele atendeu e superou todas as minhas expectativas. O livro, publicado originalmente em 2015, é vendido como uma coletânea de contos, mas todas as histórias se entrelaçam e por isso acabo considerando ele um romance. Do início do século XX ao XXI, personagens do Leste Europeu vivem em locais marcados por conflitos, onde famílias são separadas e paixões são deixadas para trás. É um livro cheio de amor e saudade, e cada personagem tem suas particularidades, seu jeito de ver o mundo, e tudo isso se colide no final. É um livro lindo demais.

Leia a resenha aqui.

4- Ritmo louco, de Zadie Smith

Romance mais recente de Zadie Smith, Ritmo louco foi publicado originalmente em 2016 e tem algumas semelhanças com a tetralogia de Elena Ferrante. Mas as semelhanças são sutis: duas amigas de infância em Londres sonham em ser dançarinas, e elas têm uma dinâmica bem Lila/Lenu – uma influencia, a outra se deixa influenciar, há aquela competitividade entre elas e um carinho meio deturpado. Mas a semelhança acaba aí. Quando adultas, a narradora – a mais “certinha” das duas – conta sua história com Tracy e como sua paixão pela dança a levou a trabalhar no mundo do entretenimento. Como as outras histórias de Smith, é um romance que discute família, identidade, pertencimento, apropriação cultural e é perfeitamente narrado.

Leia a resenha aqui.

5- O mundo em chamas, de Siri Hustvedt

Capa de O mundo em chamas

Uma artista plástica casada com uma figura reconhecida do mundo das artes realiza uma experiência: monta três exposições, mas a autoria das obras são creditadas a homens. A sua intenção é mostrar como a recepção dada às mulheres pela imprensa e mercado é bem menor do que seus colegas masculinos ganham. Mas o melhor nesse livro, publicado em 2014, é a maneira com que Siri Hustvedt aborda a personagem – aliás, a própria autora é muitas vezes vista à sombra de seu marido famoso, Paul Auster. Reunindo depoimentos e trechos de diários dessa artista após a sua morte, ela fala de psicologia, machismo, o fazer artístico e faz uma bela construção de um perfil fictício que é muito real. Grande escritora.

Leia a resenha aqui.

6- Os enamoramentos, de Javier Marías

Capa de Os enamoramentos

Vocês me ouvem falar demais desse livro e do Marías, eu sei. Mas ele sempre estará na minha lista. Os enamoramentos, publicado em 2011, é uma investigação sobre o amor – o idealizado e o amor que se recebe. O que dá certo e o que dá errado. María Dolz observa todos os dias aquele que considera ser o casal perfeito. Mas quando o marido de Luisa morre, ela se envolve diretamente com a história desse casal. Marías coloca toda a ação dentro da mente de sua protagonista, que preenche com o próprio raciocínio as lacunas da história. E ela mesma se envolve em um romance que tem tudo para dar errado. Livro lindíssimo e doloroso.

Leia a resenha aqui.

7- Conversas entre amigos, de Sally Rooney

Capa de Conversas entre amigos

Sim, Conversas entre amigos merece lugar nessa lista! Sally Rooney captou muito bem o ESPÍRITO DA ÉPOCA ao contar a história de Frances, uma poeta de 20 anos envolvida em um caso extraconjugal. Tem a sensação de ser uma fraude, a dificuldade de aceitar os próprios sentimentos e até de externá-los, a vontade de ser independente e aquela dose de drama jovem onde a vida parece muito mais complicada do que é. Lançado em 2017, é o livro dos millenials em sua melhor representação.

Leia a resenha aqui.

8- A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan

Dá pra ver que meu negócio são estruturas pouco convencionais, né. Livro mais “velho” dessa lista, A visita cruel do tempo foi publicado em 2010 – o que, oficialmente, faz dele um livro dos anos 00. Mas a lista é minha e eu a faço do jeito que eu quiser!!! Jennifer Egan conta a história de uma família através dos anos em que cada capítulo é narrado por um personagem e com estilos diferentes. É uma colcha de retalhos, com saltos no tempo, idas e voltas. E tem o Famoso Capítulo do PowerPoint que amo demais. Assim, a história não só trata dos dramas dessa família, mas reinventa a própria maneira de se comunicar, criando novas formas de falar/escrever para um futuro próximo.

Leia a resenha aqui.

9- Quem matou Roland Barthes?, de Laurent Binet

Capa de Quem matou Roland Barthes?

Publicado em 2015, Quem matou Roland Barthes? é dos livros mais divertidos que já li na vida. Laurent Binet parte da morte de Roland Barthes para criar um thriller intelectual que envolve grupos secretos, espiões e terroristas. Todo mundo atrás da “Sétima função da linguagem” que o filósofo estaria portando quando foi atropelado. Cabe a um detetive caretão e a um jovem professor de semiótica resolver o mistério de quem matou o cara. Esse livro faz aquelas suas aulas de semiótica valerem a pena.

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10- 4 3 2 1, de Paul Auster

Para encerrar, um dos mais recentes dessa lista é 4 3 2 1, de Paul Auster. Publicado em 2017, Auster conta a história de Ferguson da sua infância até o início da vida adulta. Um verdadeiro livro de formação. A questão aqui é que essa história é contada quatro vezes. Cada capítulo tem um subcapítulo, e cada subcapítulo é dedicado a uma timeline diferente da vida de Ferguson. Pequenas mudanças em suas escolhas ou nas escolhas de pessoas que convivem com ele causam desvios na sua vida, transformando o protagonista em quatro pessoas diferentes, mas iguais em sua essência. Auster traz reviravoltas, encanta, choca, enfim. Tem tudo o que um livro bom precisa ter.

Leia a resenha aqui.


Como já disse, essa lista é puramente pessoal. Mas gostaria demais de saber quais livros também marcaram sua vida de leitor nesses últimos 10 anos. Conta aí!


Ficou afim de ler algum desses livros? Aí vão os links para encontrar:
Lincoln no limbo, de George Saunders
Tetralogia Napolitana da Elena Ferrante
Trilha sonora para o fim dos tempos, de Anthony Marra
Ritmo louco, de Zadie Smith
O mundo em chamas, de Siri Hustvedt
Os enamoramentos, de Javier Marías
Conversas entre amigos, de Sally Rooney
A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan
Quem matou Roland Barthes?, de Laurent Binet
4 3 2 1, de Paul Auster

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