“Masoquismo é uma tendência ou prática parafílica, pela qual uma pessoa busca prazer ao sentir dor ou imaginar que a sente.”

Isso é o que Wikipedia diz sobre masoquismo. Nada muito complexo, apenas isso mesmo: encontrar o prazer na dor, ou na sensação de estar sentindo dor. Ser amarrado, chicoteado, socado, cortado, quiçá xingado, humilhado e até traído. A dor pode ser física ou também mental, mas é isso o que buscam: uma submissão que só pode ser conquistada com a confiança – pois no final você sabe que é só ali, na hora do sexo, e depois tudo voltará à velha forma de antes. O termo foi inspirado no nome de Leopold von Sacher-Masoch por conta do livro A Vênus das peles, uma das primeiras narrativas em que o desejo da dor como meio de atingir o prazer sexual foi narrado na literatura, escrito em 1870 – e que, claro, causou o maior escândalo na época. O livro ganhou uma nova edição pela Hedra em 2015 com tradução de Saulo Krieger.

Severin é um jovem rico quando conhece Wanda, uma viúva tão bem financeiramente quanto ele. A inicial admiração pela beleza da mulher logo se transforma em juras de amor, juras que encontram resistência na própria mulher que, amante da própria liberdade, sabe que seu desejo por Severin não será eterno. Mas, louco de paixão, ele se entrega à sua visão da Vênus em carne e osso – e peles. Uma entrega tão grande que ele lhe revela suas predileções, que consistem em ser maltratado, amarrado e espancado, tratado como um escravo ávido por satisfazer os desejos de sua “dona”. Apesar de nunca ter praticado tais atos, Wanda aceita, com algumas objeções iniciais, ser a Vênus das peles de Severin.

Jean-Yves Berthault estava ajudando na mudança de uma amiga quando encontrou no sótão de sua casa um punhado de cartas com aparência antiga. Ao ler o conteúdo, o diplomata se espanta positivamente: são cartas de amor escritas entre 1928 e 1930, todas de autoria de uma mesma mulher, Simone, endereçadas a seu amante, Charles. Cartas com linguagem que indicam a boa educação de sua autora e, para a surpresa de Berthault, carregadas de conteúdo erótico.

LIDOS EM 2019 1. A vegetariana – Han Kang – Todavia 2. Os 120 dias de Sodoma – Marquês de Sade […]

“Nós, libertinos, pegamos mulheres para serem nossas escravas; a qualidade delas de esposas as torna mais submissas que as amantes, e você sabe como o despotismo é precioso nos prazeres que saboreamos.”  

Os 120 dias de Sodoma talvez seja um dos livros que mais comprovam o quanto o homem sente nojo, ódio e asco pelas mulheres. O clássico inacabado de Marquês de Sade (1740-1814) é um compilado gigantesco de todos os atos perversos que homens praticam com mulheres – e com homens também, claro, mas elas são o principal alvo de seus libertinos quando falamos de sofrimento. Publicado postumamente em 1904, Os 120 dias de Sodoma (tradução de Rosa Freire D’Aguiar para a Penguin-Companhia) foi escrito durante a prisão do Marquês de Sade na Bastilha.