clubedaleituraEu não conhecia o Clube da Leitura da Baratos da Ribeiro. Na verdade, nem conhecia a Baratos da Ribeiro. Sou catarinense, moro no Rio Grande do Sul, nunca pus os pés no Rio de Janeiro. Passei a conhecer isso tudo com o livro Clube da Leitura: Modo de Usar, Vol. I, que o Camino me enviou. O livro reúne os contos produzidos dentro do clube, frutos de uma competição bem organizada, que partem de um trecho de algum livro lido nas reuniões. A imaginação dos autores transforma esse trecho em pano de fundo para suas criativas histórias.

O Leitura da Semana tá sendo algo simbólico nesses últimos dias. Ando lendo mais de um livro por semana e, da última postagem para cá, li dois e nem comentei. Um deles foi Sob o Céu de Agosto, cuja resenha já está no ar desde segunda-feira, e o outro O Palácio de Inverno, de John Boyne, que vou publicar a resenha amanhã. Livros muito bons, por sinal, o que colaboraram por lê-los em um tempo tão curto. O livro “eleito” da semana, então, foi O Último Olimpiano, de Rick Riordan, finaleira da série Percy Jackson e os Olimpianos.

O tempo é o futuro, o povo é evoluído. Ainda há reis, ou rainhas, não se sabe dizer o certo, pois homens e mulheres são iguais. Lá é frio, muito frio. Por isso, é conhecido como Inverno. Mas essa não é uma Terra do futuro, com seus efeitos climáticos catastróficos resultando numa nova Era Glacial. Esse é Gethen, um planeta muito distante, e que há dois anos abriga Genly Ai, um terráqueo a serviço do Ekumen. Sua missão é convencer Gethen a se juntar ao grupo de mais de 80 planetas que visa a troca comercial e cultural entre seus habitantes.

LIDOS EM 2018 1. 4 3 2 1, de Paul Auster – Faber & Faber 2. O vendido – Paul Beatty […]

Livros de contos sempre são recomendados para aqueles que gostam de uma leitura rápida e descompromissada. Nunca me interessei muito pelo gênero, mas depois de enveredar por alguns contos de terror e humor acabei me encantando. Principalmente depois de ler aqueles produzidos pelo Clube da Leitura da Baratos da Ribeiro. Agora tenho outro queridinho na lista de contos. Trata-se de Veja se Responda essa Pergunta, de Alexandre Rodrigues, publicado pela Não Editora.

Em 2000, o escritor uruguaio Mario Levrero ganhou uma bolsa da Fundação Guggenheim para terminar um livro que tinha começado a escrever em 1984. O romance luminoso, nome desse projeto, era para ser um livro sobre os momentos luminosos da vida do autor, acontecimentos marcantes, não necessariamente grandiosos, que vivenciou. Mas escrever sobre esses momentos se mostrou uma tarefa árdua: difícil colocar em palavras as sensações que esses acontecimentos despertaram, difícil explicar ao leitor por que essas interações simples se embrenharam tão fundo na memória do autor. Mas Levrero queria terminar esse livro, não queria deixar o mundo – ele morreu em 2004 – sem finalizar o projeto. Só que, da mesma forma que dinheiro não compra felicidade (embora eu ache essa frase bem discutível, que só pode sair da boca de alguém que nunca passou por uma dificuldade financeira na vida), ele também não compra inspiração.

 

Quem matou Roland Barthes?, de Laurent Binet (tradução de Rosa Freire D’Aguiar), foi o último livro lido em 2016, e um dos meus preferidos do ano. É daqueles livros que você não sabe exatamente os motivos de ter gostado, ou apenas não consegue descrevê-los bem. Ele é divertido, ele é bem escrito, ele pode até ser considerado inventivo, apesar de ser uma clássica história de investigação policial, um quem matou quem – ou quem mandou alguém matar quem, neste caso –, um romance que usa elementos reais para criar uma absurda história de conspiração que envolve a linguagem. Talvez eu tenha gostado do livro porque finalmente usei o que tive que aprender de semiótica na faculdade. Talvez.

suicidios-exemplaresO ser humano é um animal dotado de racionalidade que tem todas as escolhas nas suas mãos. Pode escolher seguir os impulsos instintivos do que ainda resta de sua natureza selvagem, ou viver em harmonia com a sociedade seguindo as suas regras éticas e morais. É da escolha dele viver intensamente ou prezar pela tranquilidade dos fins de semana em casa. É totalmente sua a responsabilidade de se empenhar nos estudos e trabalhar arduamente para, anos depois, recolher os frutos na aposentadoria. Ou vagabundear pelo mundo sempre sem dinheiro, mas com liberdade. E também é da escolha dele, simplesmente, viver ou tirar a própria vida. Sim, nós podemos deixar a existência física – e eu acredito, a consciência – no momento em que quisermos. Nós podemos nos matar, suicidar. Mas nem todos conseguimos.

Em Suicídios exemplares, o catalão Enrique Vila-Matas elenca uma série de histórias em que os protagonistas flertam constantemente com a opção da morte. Não são personagens deprimidas, num todo, como o leitor pode imaginar ao começar a ler o livro. O suicídio, muitas vezes, não é o deles, mas de alguém em volta que por algum motivo exerce alguma atração em pensar sobre a própria morte, imaginar inúmeras possibilidades de se deixar levar por ela. Mas ela, apesar de rondar quase todas as linhas desse livro, nem sempre é alcançada.

O modo de ler está ficando cada vez mais diferente por causa das novas tecnologias digitais. Não só em se tratando de livros “físicos”, mas o sentido geral de ler. Links, vídeos, áudio… Tudo isso agrega mais informação a uma leitura. E agora o Twitter também causa sua “revolução no modo de ler”. Um dos primeiros movimentos “literários” que vi no microblog foram os microcontos. Se não me engano, haviam até concursos para escolher o melhor. E, convenhamos, contar uma história em 140 caracteres não deve ser nada fácil.