Joana D’Arc, o coelho branco de Alice no País das Maravilhas, guerras nucleares. Assuntos assim só podem estar reunidos em uma compilação de contos. E eles estão em Anacrônicas: Pequenos Contos Mágicos, de Ana Cristina Rodrigues. Em textos curtos e deliciosos, a autora nos transporta para diversos mundos onde o fantástico toma conta. Passado, futuro e clássica ficção são base para montar suas histórias mágicas.

Um homem relativamente jovem está em crise. Pretende se separar da segunda esposa, sua mãe está internada com poucos dias de vida, e o resto de sua família o despreza. Ele escolheu caminhos opostos aos da família, e nada do que era esperado dele se concretizou. Em Explicação dos Pássaros Rui S. compartilha seus últimos dias de vida, carregados de lembranças e previsões para seu futuro. O quarto romance do português António Lobo Neto, em nova edição pelo selo Alfaguara, da Objetiva, narra de forma densa uma história onde o destino não pode ser alterado.

Se minha última resenha era sobre contos trágicos, porém cômicos, o livro do qual falo agora é parecido em apenas um aspecto: continua trágico, mas nada engraçado. Raiva nos Raios de Sol, segundo livro de contos de Fernando Mantelli, é violento, cruel e agonizante. Também publicado pela Não Editora, a obra acabou de receber o Prêmio Açorianos de Literatura 2009 de Melhor Capa.

O mundo literário teve a chance de apreciar mais uma obra daquele que chocou ao narrar em um livro um caso de pedofilia. Lolita fez do russo Vladimir Nabokov um dos maiores autores do século XX, surpreendendo não só pelo seu enredo perturbador, mas pela maestria com a qual ele o montou. Os agradecimentos vão para Véra, sua esposa, que o impediu de queimar Lolita. Agora outra obra foge do destino que o autor lhe concedeu, e desobedecendo às ordens dadas por seu pai, Dmitri Nabokov publica seu último romance, O original de Laura. Atrás de dinheiro ou não, Dmitri fez bem, ressaltando que uma história merece ser lida mesmo sem estar pronta.

Livros de contos sempre são recomendados para aqueles que gostam de uma leitura rápida e descompromissada. Nunca me interessei muito pelo gênero, mas depois de enveredar por alguns contos de terror e humor acabei me encantando. Principalmente depois de ler aqueles produzidos pelo Clube da Leitura da Baratos da Ribeiro. Agora tenho outro queridinho na lista de contos. Trata-se de Veja se Responda essa Pergunta, de Alexandre Rodrigues, publicado pela Não Editora.

Finalmente o Natal chegou. E o fim de ano. E o feriadão. E a festança. Mas nunca, nunquinha, vou tirar férias das minhas leituras, e no Natal e Ano Novo vão ser recheados de livros. Assim espero. Até porque, estarei sem internet e alguns dias sem celular, lá por Santa Catarina. Vou ter que me entreter de algum jeito, né?

Para entrar no clima feliz do Natal, escolhi um romance pra esquecer dos dias de aula e trabalho. O Rei do Inverno, de Bernard Cornwell (Record), foi o eleito. Mais de 500 páginas para me desligar de vez da vidinha profissional. Para quem não sabe, ele é o primeiro livro das Crônicas de Artur e, obviamente, é sobre o mais famoso rei da Inglaterra.

O tempo é o futuro, o povo é evoluído. Ainda há reis, ou rainhas, não se sabe dizer o certo, pois homens e mulheres são iguais. Lá é frio, muito frio. Por isso, é conhecido como Inverno. Mas essa não é uma Terra do futuro, com seus efeitos climáticos catastróficos resultando numa nova Era Glacial. Esse é Gethen, um planeta muito distante, e que há dois anos abriga Genly Ai, um terráqueo a serviço do Ekumen. Sua missão é convencer Gethen a se juntar ao grupo de mais de 80 planetas que visa a troca comercial e cultural entre seus habitantes.

No mundo da literatura, acompanhamos diversos tipos de pessoas de lugares distantes e inimagináveis, e que geralmente existem apenas na ficção. No máximo, inspiram-se em algum nome notório, uma técnica que estimula ainda mais a fantasia do leitor. Mas e se uma personagem de um livro qualquer realmente existisse? Não no sentido de ser parecido com ela, mas de ser ela mesmo? E se essa personagem descobrir que toda sua vida foi escrita, guiada por uma linha de texto? Provavelmente, a concepção de que todos são livres e donos do seu próprio destino cairia por terra.

Em 1998, um dos mais famosos assassinos do país foi preso. Francisco de Assis, o Maníaco do Parque, condenado por estupro e assassinato. Ele seduzia suas vítimas, as atraía para uma clareira no meio de um parque e ali praticava seus crimes. Durante meses ele foi a atração principal dos noticiários, aparecendo em todos os telejornais. Enquanto a opinião pública o execrava pelos crimes que cometeu, um grupo de mulheres lhe enviavam cartas de amor, esperando dele uma demonstração de carinho.

Não me lembro de ter lido algum livro sobre o Velho Oeste antes. Sobre zumbis já li. Mas zumbis no faroeste é inédito. Para quem ficou intrigado com a mistura, pode conferir ela em Areia nos Dentes, do gaúcho Antônio Xerxenesky. Publicado pela Não Editora, o livro narra a história de Juan Ramírez, filho de Miguel, que tem uma rixa com a família Marlowe. Os Ramírez desconfiam que os Marlowes escondem alguma coisa no seu porão. Porém, há mais do que isso. É uma narração dentro de uma narração. A história é contada por outro Juan, descendente do primeiro, um velho morador da Cidade do México que vê no livro uma forma de dar mais ação a história de sua família.