se-eu-olhar-pra-trasEdimar é um funcionário público de Porto Alegre prestes a se aposentar. Leva aquele tipo de vida monótona, sem sobressaltos. Tranquilidade e estabilidade, para ele, sempre foram o mais importante – o que o levou a largar a carreira de professor de História. Com uma filha já casada, uma neta e sua mulher, ele mantém uma tradicional família de classe média da capital, daquelas que os vizinhos não encontrariam uma fofoca sequer para cochicharem no pátio do prédio próximo ao shopping Praia de Belas. Resumindo, a vida de Edimar não conta com grandes emoções para preencher um livro. Até ele receber o telefonema de um estranho de Santa Maria, sua cidade natal, que causa um impacto inimaginável no seu cotidiano pacato.

Em Se eu olhar pra trás, publicado pela editora Dublinense, Ademir Furtado faz seu protagonista voltar ao passado motivado por um mistério que envolve seu pai, um conhecido professor universitário da cidade do interior do Rio Grande do Sul. A ligação de um antigo conhecido à procura de alguns documentos deixados a uma assistente leva o funcionário público a fazer descobertas sobre a vida do pai e, principalmente, a relembrar sua própria trajetória do momento em que se mudou para a capital, nos anos 1970, até 2003, quando inicia esse romance. Sem seguir a ordem cronológica, Edimar resgata as memórias de seus tempos de universitário, de professor e do começo de seu único e recatado relacionamento com a esposa.