Ultimamente os romances breves têm me agradado muito. É estranho lembrar de quando era adolescente, eu empolgada com a descoberta da leitura querendo ler os maiores livros que eu encontrava na biblioteca – se tivesse menos de 400 páginas não me interessava. Naquela época havia tempo livre e mais energia para isso. Não que eu não goste dos livros grandes hoje, mas depois de certo período lendo o mesmo romance, fico com a sensação de que a leitura está se arrastando, quando o problema ne verdade é não ter mais aquelas preciosas horas para dedicar a um livro. Tudo isso só para dizer que os livrinhos que eu desprezava naquela época de descoberta literária hoje estão entre as minhas melhores experiências.

No ano passado, uma das minhas leituras favoritas foi Bonsai, do chileno Alejandro Zambra. O que me encantou no livro foi a forma econômica que ele utilizou para escrever o romance, cortando tudo aquilo que fosse enfeite, penduricalho estilístico, deixando apenas o básico que uma narrativa precisa para funcionar. Isso não significa de forma alguma que o texto seja seco e bruto, sem emoção. Bonsai é carregado de sentimento, de paixão, e cada linha era lida com certo ar aparvalhado de surpresa. É possível escrever um grande romance com poucas páginas. As opiniões sobre o livro de Zambra foram quase unânimes – é impossível que qualquer coisa agrade a todos –, e com certeza o tamanho do romance teve algum efeito sobre a lista de livros lidos de muitos conhecidos.

“Esta é, então, uma história leve que se torna pesada. Esta é a história de dois estudantes devotados à verdade, a dispersar frases que parecem verdadeiras, a fumar cigarros eternos e a se fechar na violenta complacência dos que se creem melhores, mais puros do que o resto, do que esse imenso e desprezível grupo que chamam de o resto.”