Sempre imaginei que, entre a vinda do diabo e a volta do messias, o diabo seria mais divertido. Não sou nada religiosa, apesar de me interessar bastante pelo tema – a religião influencia demais toda a nossa vida e sociedade para que eu possa ignorá-la, então sendo religiosa ou não, é um assunto a se conhecer. Mas, caso tivesse algum tipo de fé ou crença, o diabo teria meu voto. Sei lá, os vilões sempre me agradaram. Demorei muito para ler O mestre e Margarida, de Mikhail Bulgákov (li na edição da Alfaguara, tradução de Zoia Prestes, mas dizem que a edição da Editora 34 é melhor), apesar de todas as recomendações e de estar na minha mira por pelo menos uns seis anos. A capa com o gato demoníaco me atraía sempre, mas por algum motivo eu sempre deixava para lá. Até ler esse artigo de Viv Grokop no Literary Hub sobre como a leitura desse romance é fundamental para tempos sombrios. E estamos em tempos sombrios. E a vinda do diabo não poderia ser mais divertida.