Faz algum tempo em que ando interessada no funcionamento do cérebro humano. O interesse surgiu, acredito, quando comecei a ler mais sobre a memória – como funciona, o que nos faz lembrar de certas coisas e esquecer outras. Tudo era tão diferente do que eu pensava, e tão maravilhoso, que cada vez mais fui procurando ler coisas sobre o cérebro. A última dessas leituras foi A mente assombrada, novo livro do inglês Oliver Sacks, renomado neurologista autor de diversas obras que exploram a mente humana. Nesse último livro, seu interesse se debruça sobre as alucinações, as involuntárias e as induzidas por drogas e outras substâncias, mostrando de que maneira o ato de enxergar aquilo que não existe está presente no cotidiano e na cultura humana.

O início de A mente assombrada já dá ao leitor uma ideia do quão extraordinário é o nosso cérebro, de uma maneira que o deixa maravilhado e assustado. Alucinações, na definição que Sacks faz, são “percepções que surgem na ausência de qualquer realidade externa – ver ou ouvir coisas que não existem”. Diferente do que o senso comum considera, ter alucinações não possui relação alguma com a loucura. Muitas pessoas que sofrem com alucinações podem não procurar tratamento ou não admitir para outros que veem coisas que não existem com receio de serem consideradas loucas, uma reação preconceituosa e ignorante da real natureza dessas visões ou percepções. Esclarecer isso, então, é a primeira coisa que Sacks faz ao leitor.