No Himalia, em 1970, uma americana de 45 anos procura o esquecimento entre as montanhas. Ela simplesmente chegou lá, sem dizer nada nem nada fazer. Procurou um canto para ficar e, assim, viver enquanto se prende em um transe que a torna um mistério no lugar. A Mulher Sem Palavras, romance de Marcelo Barbão, relata a vida de uma pessoa que, mesmo sem falar – por escolha própria –, tem muito a dizer. Sua protagonista não tem nome, o que faz dela um mistério também para o leitor, mesmo sendo ele o alvo dos seus relatos. Essa aura enigmática está presente no próprio texto, um relato cortado entre os tempos que aos poucos monta sua história.

Em um mercado onde as editoras exploram romances com amor e seres sobrenaturais para atrair o público jovem, chega uma história onde não há nem vampiros, nem anjos, nem zumbis. E muito menos um casal meloso. Jogos Vorazes, da norte-americana Suzanne Collins, conquistou críticos e leitores por fugir do clichê editorial da vez usando uma sociedade futura que sofre com a escassez e a arbitrariedade. Com uma sinopse que promete sangue, violência e morte, é até estranho encontrar no livro, primeiro de uma trilogia, o selo Rocco Jovens Leitores, mas é para esse público mesmo que ele se destina. Uma violência adaptada.

Ser um thriller já é meio caminho andado para um livro despertar interesse. Pessoas gostam de ler sobre serial killers, investigações que mechem com sua cabeça, que desafiam seu senso de antecipar movimentos. Particularmente, thrillers são os primeiros livros que chamam a atenção na prateleira, por presumirem histórias impossíveis de largar e fáceis de terminar. Assim parecia ser Desaparecidas, de Chris Mooney, mas não foi esse o seu efeito.

Palavras podem ser tão devastadoras quanto bombas. Ditas na hora errada e para pessoas erradas, têm o poder de destruir vidas como se elas estivessem no meio da própria guerra. Elas comprometem pessoas e destroem laços. São armas e também mecanismos que nos levam a lembrar do que deveria ser esquecido. Os Informantes, do colombiano Juan Gabriel Vásquez, prova como as palavras exercem esse poder. O livro é uma narração surpreendente sobre traições e mágoas que envolvem uma família e sua rede de amizades.

Riqueza e materialismo fazem parte da vida de alguns jovens em qualquer parte do mundo. Filhos de pessoas de respeito e com uma conta bancária recheada, são adolescentes que estudam em escolas particulares, saem quase todas as noites para festas, consomem o que querem e vivem uma vida que chamamos de fútil. Geralmente, eles tem um futuro brilhante traçado passo a passo. Porém, um ou outro às vezes joga esse futuro em um abismo, onde a riqueza até pode dar uma mão, mas não vai impedir que suas vidas fiquem marcadas pela exposição que tiveram. São jovens assim que encontramos em Aconteceu em Blackrock, do irlandês Kevin Power.

No ano de 1911 a França viveu dias de assombro: sua mais valiosa obra de arte havia sumido. A italiana Mona Lisa, que até então “morava” no museu do Louvre, foi levada debaixo dos olhos de todos. Durante dois anos ela ficou assim, desaparecida, e não havia pista alguma que levasse até ela. Os detalhes desse maior roubo de arte da história estão em Roubaram a Mona Lisa!, um relato envolvente de R. A. Scotti.

Existem temas que cativam leitores de todos os estilos, envolvendo em narrativas que encantam ao mesmo tempo em que assustam. Ou será que o encanto vem justamente dos sustos? Estou falando das histórias de fantasmas. O relato de alguma aparição, pelo menos, todo mundo já ouviu, esse é tema recorrente em rodas de conversas. Fantasmas prendem até aqueles que dizem não gostar do assunto, contribuindo para que as histórias sejam tão propagadas e ouvidas. Agora, adoradores do sobrenatural conseguiram uma boa fonte de “causos” fantasmagóricos: O grande livro de histórias de fantasmas.