Com a mudança para São Paulo, o trabalho, a vida social (que agora posso considerar ter agora), e eu estar dando muito mais atenção para a televisão (tenho que justificar os R$ 150,00 da NET que venho pagando), não encontro muito tempo para escrever mais resenhas – até o número de livros lidos diminuiu consideravelmente. Mas calma, não estou desistindo do trabalho, só estou mais preguiçosa mesmo. Por isso, vou falar rapidinho de algumas leituras que fiz durante o ano até agora que não ganharam uma resenha própria por “n” motivos – como não saber como falar deles sem uma segunda leitura, ou achar que o texto ficaria muito ruim e preferir nem começar. Então aí vai:

Toda antologia que pretende reunir o “melhor” de qualquer coisa vem carregada de polêmicas. Como a recepção de um texto é muito baseado na subjetividade – suas preferências e experiências determinam o que será apreciado ou não, mesmo reconhecendo a qualidade literária de um texto que pouco agrada –, a lista dos 20 melhores jovens escritores brasileiros de cada um seria diferente da que os jurados da Granta formaram. Sempre haverá alguém para dizer que aquele outro escritor merecia estar no lugar desse aqui, que gosta dos livros e contos de X mais do que dos de Y. Que reclama que W nem ao menos tem um livro próprio publicado ainda, então o que está fazendo nessa lista? Reclamações à parte, falta dizer que a palavra “melhores” não quer dizer nada. Cada um tem os seus “melhores”, e nesse caso, ela vem para mostrar alguns destaques que, futuramente, podem ser reconhecidos como os “melhores” de nossa literatura.

Fazendo um comentário geral, quando os nomes dessa nona edição da Granta em português foram anunciados, achei as escolhas bem justas e previsíveis. Parte dos escolhidos eu já havia lido, outra parte eu já havia ouvido falar com elogios. O resultado foi o esperado: nomes bem vistos pelos críticos, com uma ou duas surpresas que mostram que não são só os já “famosos” que ganham espaço na revista. A expectativa ao começar a ler, claro, é grande, se espera realmente o “melhor” de cada escritor, pois foi assim que a revista foi vendida. Mas apesar de bons, não é exatamente o melhor que se encontra – novamente, a subjetividade da literatura.

a-pagina-assombrada-por-fantasmasQuando fui ao lançamento do livro A página assombrada por fantasmas, na metade do ano passado, já estava pensando em não resenhar seus contos. Estaria seguindo uma regra do próprio Antônio Xerxenesky publicada no blog do Michel Laub: não resenhar livro de amigos. Não que sejamos lá muito amigos, mas conhecidos sim, com certeza, e levando em conta meu medo/receio/vergonha de saber que um autor leu uma resenha minha, preferi ficar no silêncio mesmo quanto a qualquer crítica. Apenas ler, dizer que gostei – já com a certeza que iria gostar, veja bem – e nada além disso. Pois bem, demorei mais de seis meses para ler o livro, não sei dizer por que. Mesmo com o “polvo leitor” tão elegante desenhado na folha de rosto, fui adiando a leitura até que, em uma viagem para Santa Catarina, dentro do ônibus, resolvi finalmente encarar esses contos. E que arrependimento foi essa demora.

Vamos começar então falando de literatura. A página assombrada por fantasmas é um livro que fala sobre ela. Mas não com pedantismo, daquela maneira que coloca a leitura no mais alto patamar das atividades que um ser humano pode querer usufruir – e Shakespeare o autor mais nobre que poderemos ler. A literatura é abordada, até, de maneira mais cômica, como uma forma de brincar com nossos autores e obras mais estimados. Tchau glamour das letras, olá personagens meio perturbadas, meio engraçadas, às voltas com os livros. Como o leitor/fã nervoso ao ir entrevistar seu autor favorito na capital da Argentina, imaginando diferentes situações – e recusas do entrevistado – antes mesmo de botar os pés nos corredores de seu apartamento. E também Charles Makuviac, “Brasileiro, apesar do nome. Um escritor contemporâneo de grande repercussão mundial, apesar de brasileiro”, frente a uma síntese de sua obra que marca seu futuro na literatura.

O programa Espaço Aberto, da GloboNews, dedicou uma edição somente sobre o tema literatura. E o assunto tratado foram as mudanças no cenário na primeira década do século XXI: o que melhorou, que escritores surgiram, que movimentos conquistaram os leitores e os melhores livros publicados nesses 10 últimos anos. Não tenho tanto tempo assim de leitura (não assídua do jeito que sou agora), então meus comentários sobre o que foi dito no programa não devem ser muito relevantes, mas gosto de fazer esse exercício de refletir sobre o que está sendo feito no mercado editorial. E, claro, compartilhar o programa aqui, já que o assunto é de extrema relevância.

Vamos continuar? Outro livro do sorteio é Areia nos Dentes, do Amtônio Xerxenesky. Um livro que até agora só ouvi falar bem. Porque ele merece todos os elogios que recebeu. Quer saber porque? Lê a resenha então.

Só lembrando: quem quer participar da promoção de aniversário, que vai dar 3 livros da Não Editora para um leitor do r.izze.nhas, deve deixar seu comentário nesse post aqui. Só vale um comentário por pessoa, e vai até a meia-noite de domingo. Na segunda-feira rola o sorteio, seguido do resultado. Boa sorte!!!