Quando tinha 16 anos, comecei a sentir dificuldades para dormir. Preferia passar as noites aproveitando a conexão gratuita da internet discada, conversando com pessoas distantes para passar o tempo, até o momento em que minha mãe, pela terceira vez, com certa indignação na voz, me pedia para desligar de vez o computador e ir dormir porque “você tem aula amanhã cedo, e já passou da hora”. Essa pseudo-insônia durou por mais uns três anos, principalmente no primeiro semestre em que estive dividindo um apartamento com mais duas meninas aqui em São Leopoldo. Sem ter pai ou mãe por perto, e calculando cada movimento para não acordar as gurias, pude passar minhas noites acordada, na internet. Depois que toda a rede mundial de computadores se recolhia para a cama, podia passar o resto da madrugada lendo e vendo vídeo clipes indies na MTV.