Pense na imagem de um espião. Tente visualizar o seu comportamento, como se veste, como fala, como age, e como são suas missões. A referência que temos para isso vem, basicamente, do cinema. Os espiões de filmes são homens charmosos, inteligentes, fortes, astutos, e que invariavelmente acabam destruindo metade de uma cidade em uma perseguição e chamam toda a atenção para si – sempre rodeados por mulheres, claro. Trabalhar em uma agência de espionagem parece ser bem atraente, se formos nos guiar pela imagem que Hollywood construiu para esses profissionais. Bem, isso não existe dessa forma em Argo.

Escrito por Antonio Mendez e o jornalista Matt Baglio ao mesmo tempo em que o filme dirigido e estrelado por Ben Affleck era produzido, Argo: Como a CIA e Hollywood realizaram o mais estranho resgate da história revela em detalhes a operação que tirou do Irã seis fugitivos norte-americanos que escaparam da embaixada dos Estados Unidos no país em 1979, que fez mais de 50 pessoas reféns. A história havia sido mantida em segredo por 17 anos, até que a CIA retirou o regime de confidencialidade da operação, utilizando-a como um case de sucesso na comemoração dos 50 anos da agência. O filme de Affleck deixou bem claro que o cinema não precisa de grandes explosões e efeitos especiais para se ter uma boa cena de ação, de deixar todos que assistem apreensivos. Já o livro não conta com essa carga de tensão que o longa adicionou à trama para deixá-la mais dinâmica e interessante, ele é muito mais explicativo, mas mesmo assim mantém os olhos grudados nas páginas ao fazer o leitor entrar nos bastidores de uma operação da CIA. É claro que essa aura de “herói” que o cinema confere aos espiões e agentes secretos existe em Argo, mas com muito menos glamour do que pensamos.