Ana Maria Machado nem havia trabalhado com crianças ou tido qualquer experiência parecida quando começou a escrever histórias infantis para a Revista Recreio em 1969. Assim como outros escritores que começaram a escrever para esse público na mesma revista e, como ela, nunca mais pararam de dedicar suas histórias às crianças. Agora, Ana Maria Machado é uma das principais autoras infantis do país, com mais de 100 livros publicados, além de romances e outros títulos voltados para o público adulto. Mas mesmo sem esse contato mais acadêmico com crianças, a autora é um dos primeiros nomes pensados quando o assunto é o incentivo da leitura e a importância da prática para o desenvolvimento pessoal e social.

Em Silenciosa algazarra: reflexões sobre livros e práticas de leitura, lançado recentemente pela Companhia das Letras, a autora reúne seus ensaios e palestras em que traz boas ideias e críticas sobre o incentivo da leitura a importância da literatura infantil e juvenil. Sua fala baseia-se principalmente em suas experiências como autora e leitora, e o livro trata tanto da tarefa de formar leitores até divulgar a literatura infantil brasileira no mercado internacional. E para abrir esses textos, nada melhor do que trazer justamente um que fala da importância da literatura para a sociedade. Ana Maria Machado traz vários argumentos para falar do papel da literatura na formação humana, em que sua leitura é uma ferramenta que nos torna críticos, melhora nosso vocabulário, nos faz conhecer novas culturas e principalmente nos ensina a aceitar a diversidade.

No meio literário, uma das discussões em maior evidência é sobre o que acontecerá com o livro. Nunca se produziu e vendeu tanto, e ainda entram no mercado novas tecnologias de leitura que prometem mudar o cenário literário. Aqui no Brasil, o mercado editorial baseado na digitalização ainda está engatinhando, mas nos Estados Unidos esse é um tema discutido há muito tempo, e os números só apontam para o crescimento do consumo de e-books e e-readers. A Questão dos Livros (Companhia das Letras), do historiador Robert Darnton, faz justamente essas reflexões, mas por um olhar acadêmico. Nessa reunião de ensaios e artigos, o autor fala de questões relacionadas ao presente, passado e futuro do livro e, principalmente, das digitalizações de obras promovidas pelo Google.

Poeta e editor da Revista Confraria, Márcio-André fez uma viagem no mínimo estranha em 2007. Aproveitando uma ida à Europa, cismou em visitar Pripyat, na Ucrânia, cidade atingida pelo desastre nuclear de Chernobyl ocorrido em 1986. Em meio aos prédios e casas abandonadas e exposto à intensa radiação, Márcio-André realizou a primeira Conferência poético-radioativa de Pripyat. A sua performance, com leituras de poemas próprios e de outros nomes renomados, lhe rendeu o título de poeta radioativo. Ensaios Radioativos, então, é um livro sobre ele, aquele que trouxe ao país um pouquinho da energia nuclear da Ucrânia.

Esta é a edição 00 da Revista Medulla. A intenção é juntar em uma revista digital os melhores textos de variados blogs, para não só propagar conhecimento, mas apresentar para as pessoas endereços bacanas onde se pode ler bons artigos. A ideia da Medulla veio do André HP, que nessa estreia fez todo o trabalho de seleção e diagramação dos textos, que ficou muito bom. E o r.izze.nhas faz parte dessa “compilação”.