Qual é a verdade por trás da humanidade, o real sentido de estarmos vivo? A resposta para essa pergunta, segundo Unhas, é o prazer. Fazer o que lhe dá mais vontade, o que mais o satisfaz. Seja comer, transar, ou brincar de assassino profissional com vezes de estuprador. Unhas é o romance policial de Paulo Wainberg, publicado ano passado pela editora Leya, um livro sobre a descoberta de um homem de vida monótona e regrada de que está na natureza da humanidade, e até de Deus, quebrar as suas hipócritas regras sociais para satisfazer seus maiores desejos.

Reginaldo Pujol Filho não tem medo de mostrar o que o inspira a escrever. Ele sabe que não há problema algum em escancarar as suas influências literárias, os autores que admira e que fizeram com que ele também escrevesse. E muito menos de dizer que seus textos contém fragmentos de cada um desses autores. Daí surge Quero Ser Reginaldo Pujol Filho, contos do segundo livro do autor gaúcho publicado pela Não Editora, em que rouba os estilos de seus autores preferidos para ser ele mesmo.

Não existe tarefa mais comum que o ser humano faz do que trabalhar. É algo necessário pra conseguir dinheiro para conseguir “sobreviver”. Esse mundo do trabalho é o tema do livro Contos da Mais-Valia & Outras Taxas, de Paulo Tedesco, publicado pela editora Dublinense. O leitor encontra nele personagens com que cruza todos os dias pela rua, ou então retratos de si mesmos. Dos cargos de altos escalões aos pequenos promotores de venda, os contos de Tedesco englobam as mais comuns intrigas profissionais e frustrações pelas quais passam todos os que enfrentam a vida no mercado de trabalho.

Casinhas do jogo Banco Imobiliário – ou Monopoly, pra quem gosta do nome original – ilustram o livro. Isso já indica que não se deve pensar na “parede” do título do primeiro livro deCarol Bensimon como algo diferente de uma… parede. Pó de Parede, publicado pela Não Editora, contém três contos que falam de estranhezas e inseguranças da juventude. A CaixaFalta Céu Capitão Capivara estão diretamente ligados à parede, ao concreto, a um lugar onde se cresceu, ou um que se viu construir, ou então em um onde se passou pouco tempo da vida.

Religião e paixão se cruzam e causam um embate na vida de um adolescente. Fiel aos ensinamentos judaicos, Daniel descobre, aos 13 anos, o que era o sentimento que tinha por Pedro, seu melhor amigo. Os olhares carinhosos depositados sobre ele iam além da admiração pelo jovem: caracterizavam o mais puro amor e desejo de compartilhar com Pedrotoda sua vida. A história de Daniel é contada porRafael Bán Jacobsen no livro Uma Leve Simetria, publicado pela Não Editora. Um relato que guarda uma beleza única e tristeza que ultrapassa as páginas e ligam-se ao próprio leitor.

Solidão e abandono estão presentes em muitos aspectos da vida. No amor, na amizade, nas relações familiares e profissionais. São sentidos por humanos, animais, destino de objetos descartados. A melancolia que envolve esse sentimento e essa ação é explorada pelo médico gaúcho J. H. Bragatti eu sua estreia literária com o livro Ponto Final, uma reunião de seus contos que buscam especificamente trazer à tona personagens que vivem esse sofrimento. Os textos curtos e bem escritos publicados pela editora Dublinense trazem diferentes situações e pessoas que querem sair desse estado triste que a solidão sugere.

Final de 2008, o mundo prevê uma crise e empresas se adiantam: promovem demissões. Há mais de 10 anos trabalhando em uma agência de publicidade e propaganda de Porto Alegre, a redatora publicitária Magali Moraessentiu a dor de um chute na bunda profissional e a auto-estima cair em um abismo. Tudo por causa do medo de uma crise. Depois de anos trabalhando naquela agência com a rotina de acordar cedo e ir para o trabalho, como lidar com a primeira, e mais que inesperada, demissão? A solução encontrada por Magali foi externar suas dores fazendo um blog, O Diário de uma Demitida.

Não há coisa mais “turista” do que viajar e não dar um passo sem consultar o guia do lugar para onde se foi. Eles oferecem ao um olhar puramente turístico, os passeios, os pontos interessantes, onde ficar, onde comer, quanto pagar – é para isso que servem, afinal. Mas há uma maneira diferente de apresentar ao turista em potencial informações sobre o local para onde ele pretende ir. Mas só para os que querem visitar Havana. O primeiro livro da série Expedições Urbanas viaja a capital de Cuba para contar como é o cotidiano do cidadão cubano, não apenas os seus pontos turísticos. Esse trabalho foi realizado pelo jornalista Airton Ortiz em Havana, publicado pela editora Record. E não é nem no formato de guia, nem no de reportagem: são crônicas.

O que menos gosto na poesia geralmente é a rima. Considero que às vezes o poeta se preocupa mais em fazer as palavras combinarem do que fazer a poesia ter algum sentido. Odeio não entender o que está escrito, ou então tirar do texto tão pouca coisa que não me incentiva a tentar pensar sobre ela. Menino Perplexo, de Israel Mendes, reúne poemas que geralmente trabalham a rima. Mas felizmente, seus poemas não só possuem sentido claro como contam de forma simples curtas histórias. Nele, o poeta brinca com a língua portuguesa e com o próprio espaço físico do livro.

Depois de ler tantos contos que tratam predominantemente de casos cotidianos, é até estranho pegar uma reunião de histórias policiais nas mãos. A impressão que tenho é que o gênero hoje se reserva apenas ao romance, deixando no passado nas mãos de escritores como Arthur Conan Doyle e Agatha Christie o papel de criar curtas histórias investigativas. Na apresentação de A Prova dos Noves, o autor gaúcho Élcio Conte até faz essa comparação de seus textos publicados pela editora Nova Prova com os dois mestres policiais. Basta ao leitor concordar se os três contos que compõem seu livro merecem ser assim comparados.