Para quem já leu os divertidos romances policiais de Tailor Diniz, entrar em contato com os sete contos de Transversais do Tempo vai ser motivo de estranhamento. A narração leve e descontraída do autor gaúcho dá lugar à textos densos com uma carga extra de tragédia. Em 2007, recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura de melhor livro de contos e também foi premiado pela Associação Gaúcha de Escritores. E não é por menos. Apesar da grande diferença entres seus romances, Transversais do Tempo, em edição da Bertrand Brasil, merece igualmente ser lido.

Há seis mil anos, mais precisamente no dia 21 de outubro, Deus criou o mundo. Fez os animais, as plantas, céu, oceanos, essas coisas todas. Fez um paraíso e nele pôs um homem. Depois uma mulher. Para guardar os portões do Éden, escalou um anjo com uma espada flamejante. Mas isso não impediu que um outro anjo rastejasse do céu até a Terra. Então ele se transformou em um demônio. Ou melhor, numa cobra. A partir daí, anjo e demônio, ou Aziraphale e Crowley, conviveram até o fim dos tempos. Eram inimigos tão próximos que poderiam ser considerados amigos.