Durante algum tempo, Breves entrevistas com homens hediondos foi o único livro de David Foster Wallace traduzido no Brasil. Felizmente, ano passado a Companhia das Letras lançou Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo, que, segundo seu organizador, o escritor Daniel Galera, seria o melhor meio para quem quer começar a ler DFW. Pois diferente de Ficando longe, que reúne ensaios e reportagens do autor, Breves entrevistas é pura ficção. O que o livro trás são parte de seus contos, recheados de notas de rodapé – até quem nunca o leu conhece essa sua fama – e dos mais obscuros desejos e casos que envolvem o pensamento dos homens.

Cada dilema ou tara humana serve para DFW escrever um texto perturbador e provocativo. Seja quando o foco são os homens, como é o caso dos enxertos espalhados em várias partes do livro intitulados “Breves entrevistas com homens hediondos”, em que desvelam para uma interlocutora, cuja fala não temos acesso, todos os seus truques de conquistas baratas ou preferências sexuais; seja quando são as mulheres, como nos contos “A pessoa deprimida” e “Adult world I” e “Adult world II”, os textos exploram questões profundas, interiores, problemas íntimos que tomam várias formas em diferentes pessoas.