Por trabalhar com redes sociais para uma editora, o que mais ando vendo no fim do ano são as listas de melhores livros do bendito ano. E eu não aguento mais tanta lista. Já tem até uma lista das melhores listas de melhores livros (please, stop listas, mas essa é bem legal porque mostra umas estatísticas das listas, como número de autoras mulheres, homens, traduções, brancos, negros que aparecem nelas etc.). Mas se eu não suporto mais ver tanta lista por aí, por que estou fazendo uma? Porque é tradição, porque quero relembrar o que li esse ano, porque o Google adora e vivo recebendo visitas no blog por causa delas (rs).

De acordo com o DATAr.izze.nhas (a página de livros lidos), o número de títulos que eu li vem caindo a cada ano, shame on me. Já cansei de procurar desculpa para justificar isso (ano passado foi a mudança para São Paulo), então vou jogar a real e dizer que às vezes estou tão cansada, mas tão cansada, que só quero deitar no sofá e encarar a parede (ou então assistir novela mesmo). Ou talvez esteja desenvolvendo alguma dificuldade de me manter concentrada em uma coisa só. Mas ainda consegui reunir nove livros que gostei muito mesmo de ler em 2015, entre coisas que comecei no ano passado (beijo, DFW) e até uma releitura. Então, segue a listinha em ordem cronológica de leitura. 🙂

Johanna Morrigan é uma garota de 14 anos que não vê a hora de experimentar a vida. Em 1990, ela vive em Wolverhampton, uma cidadezinha no condado de West Midlands, Inglaterra, com sua família totalmente decadente: um pai (Pat) sem noção da realidade que sonha em ser um astro do rock milionário, uma mãe em depressão pós-parto depois da chegada dos gêmeos surpresa (que nem nome têm), o irmão mais velho (Krissi), de 15 anos, uma sombra sensata na casa, e outro de seis anos (Lupin), sempre às voltas com a irmã. Ninguém na casa trabalha e a família vive de benefícios do governo – o pai é “meio deficiente”. Mas Johanna é uma adolescente feliz, inteligente, que devora todos os livros da biblioteca, reencena musicais com seus irmãos, se diverte do seu jeito.

O único porém é que ela está louca para perder a virgindade e não tem perspectivas de ver isso acontecer tão cedo – é feia, gordinha, não tem amigos, nenhum atrativo para um homem. Então, para tentar fazer isso acontecer e também arranjar mais dinheiro para sua família – e para se livrar de um episódio humilhante protagonizado por ela na TV –, Johanna decide se reinventar assumindo uma nova personalidade, a de Dolly Wilde. Do que é feita uma garota (tradução de Caroline Chang) é um romance de formação onde a própria protagonista se constrói, costurando hábitos, conhecimentos, experiências para se tornar uma garota cool e “transável”. Caitlin Moran, autora de Como ser mulher, recheia essa história com referências a livros, séries, filmes e, o mais importante, muita música da cena underground dos anos 1990. Pois quando se torna Dolly Wilde, ela escolhe como objetivo, além das transas, claro, ser jornalista e crítica musical numa revista de circulação nacional.