Há uma predisposição dos adultos, parece, de rechaçar o que é desconhecido e fantasioso. Todos devemos ter o pé no chão, conhecer tudo, e se possível não se maravilhar ou se entreter a algo que não seja ligado aos tormentos da mente e da sua existência no mundo. A fantasia, a ficção científica e a aventura guardam, ainda, aquele estigma de produto planejado unicamente para distrair crianças e adolescentes ociosos durante as férias. Mas quando essa geração de crianças cresce, a visão desse tipo de literatura – ou cinema, ou jogos – passa por mudanças e ganha ares não só de fantasia, mas também de papel fundamental na formação de leitores. O escape da realidade que esse gênero promove na infância e adolescência se mostra válido e necessário na vida adulta.

Aí está mais que um belo motivo para embarcar nas seis aventuras publicadas pela Não Editora no quinto volume do Ficção de Polpa, dessa vez com o subtítulo de Aventura!. Publicação voltada para a literatura de gênero que imita tanto no conteúdo quanto na parte gráfica as antigas revistinhas pulp, o Ficção de polpa já trouxe aos leitores histórias de ficção científica, horror, crimes, e agora o foco está nas aventuras que vêm acompanhadas de mapas e desbravamento de lugares desconhecidos. Com menos textos que os volumes anteriores, o espaço para os autores desenvolverem seus contos é maior, e entre as histórias suas personagens conhecem mundos secretos, desbravam novas terras e tentam sobreviver a ambientes hostis. O livro ainda traz a tradicional “faixa bônus”, o conto “O Aranha: uma aventura amazônica”, do norte-americano Arthur O. Friel.

Assassinatos estão sempre envoltos em uma aura atraente de mistério. O detetive, a pessoa designada a resolver casos estranhos que desafiam a mente, é tão atraente e sedutor quanto o próprio crime. A figura do detetive decadente, mas esperto, e esses casos mirabolantes estão presentes no livro Ficção de Polpa – Crime!, quarto volume da série de literatura de gênero1que já abordou horror e fantasia, organizados por Samir Machado de Machado e lançado hoje pela Não Editora. De Sherlock Holmes à reality shows futuristas, os autores que fazem parte dessa nova edição trazem de volta todo o glamour das investigações que tanto adoramos nas histórias policiais e casos narrados com o mistério e ação na dose exata.

A parte gráfica do livro já é um atrativo à parte. Inspirado nas revistas pulp dos anos 1930 e 1950, como explica o próprio Samir em seu blog, a capa remete às tradicionais histórias de investigações policiais. Mas essa impressão não está apenas do lado de fora: dentro o livro também atrai, com os textos diagramados em duas colunas, todos ilustrados e até com anúncios antigos, parecendo realmente uma daquelas famosas revistas. Anúncios esses que se encaixam em cada um dos 6 contos da edição – mais a faixa bônus -, que não se passam necessariamente em tempos passados.

Com o objetivo de divulgar autores gaúchos no próprio estado e dar mais visibilidade para seus livros, autores, jornalistas e pessoas ligadas à literatura organizaram um “evento” muito bacana. É o Campeonato Gaúcho de Literatura, que confronta livros publicados em 2008 e 2009 para escolher o melhor, o com mais técnica, com os melhores “jogadores”… Enfim, o com a história mais envolvente e mais bem feito. E quem vai julgar isso? São várias partidas que definirão os classificados para a grande final, e juízes vão apitar os jogos, ou melhor, fazer resenhas. Legal, não é? Legal também é que eu, Taize Odelli, fui escolhida para ser um dos juízes do CGL!