Só porque as listas de bons livros lidos nos anos anteriores sumiram do blog – aquele problema lá que me obrigou a passar horas subindo todas as resenhas novamente -, e porque estou com vontade de fazer uma lista, aqui vai o meu top 16 de melhores leituras do ano. Queria que fosse um top 5, ou no máximo um top 10, mas revendo a lista de livros lidos de 2013 vi que seria impossível fazer uma seleção mais enxuta.

Foi um ano de bons livros, apesar de ter lido menos que o esperado por ter que me dedicar mais ao final do curso de jornalismo e usar boa parte do meu tempo de leitura para isso – aos curiosos, podem me considerar formada. Talvez se eu ainda estivesse no meu ritmo antigo de leitura essa lista fosse maior. Talvez. Mas estou satisfeita com o que li, e principalmente com o que conheci durante esse ano.

Existe um fetiche por trás das road trips de filmes de Hollywood. Nelas não há filas e o incômodo de uma rodoviária ou aeroporto, não existem atrasos, pois sendo um viajante de carro sem destino você provavelmente não se importa com o tempo da viagem, e geralmente não existem congestionamentos – pois pode-se seguir por caminhos alternativos, afastados, desconhecidos, onde há só o carro e a estrada. Tudo isso dá uma sensação de imensa liberdade, você não tem destino definido, pode sair dirigindo a hora que quiser, pode mudar de ideia no meio do caminho e alterar todo o seu trajeto. Mas a maior liberdade está no fato de que você pode fazer uma road trip: largar por alguns dias ou semanas trabalho, aula, família e todos os problemas que existem e desfrutar da solidão da estrada, correndo o risco de viver uma experiência única ou passar por momentos de tédio absoluto. Mas não importa, ainda sim, prevalece o fato de que você é livre para fazer isso. Esse foi o motivo número um de eu começar a ler Todos nós adorávamos caubóis, terceiro livro de Carol Bensimon.

Toda antologia que pretende reunir o “melhor” de qualquer coisa vem carregada de polêmicas. Como a recepção de um texto é muito baseado na subjetividade – suas preferências e experiências determinam o que será apreciado ou não, mesmo reconhecendo a qualidade literária de um texto que pouco agrada –, a lista dos 20 melhores jovens escritores brasileiros de cada um seria diferente da que os jurados da Granta formaram. Sempre haverá alguém para dizer que aquele outro escritor merecia estar no lugar desse aqui, que gosta dos livros e contos de X mais do que dos de Y. Que reclama que W nem ao menos tem um livro próprio publicado ainda, então o que está fazendo nessa lista? Reclamações à parte, falta dizer que a palavra “melhores” não quer dizer nada. Cada um tem os seus “melhores”, e nesse caso, ela vem para mostrar alguns destaques que, futuramente, podem ser reconhecidos como os “melhores” de nossa literatura.

Fazendo um comentário geral, quando os nomes dessa nona edição da Granta em português foram anunciados, achei as escolhas bem justas e previsíveis. Parte dos escolhidos eu já havia lido, outra parte eu já havia ouvido falar com elogios. O resultado foi o esperado: nomes bem vistos pelos críticos, com uma ou duas surpresas que mostram que não são só os já “famosos” que ganham espaço na revista. A expectativa ao começar a ler, claro, é grande, se espera realmente o “melhor” de cada escritor, pois foi assim que a revista foi vendida. Mas apesar de bons, não é exatamente o melhor que se encontra – novamente, a subjetividade da literatura.

Assassinatos estão sempre envoltos em uma aura atraente de mistério. O detetive, a pessoa designada a resolver casos estranhos que desafiam a mente, é tão atraente e sedutor quanto o próprio crime. A figura do detetive decadente, mas esperto, e esses casos mirabolantes estão presentes no livro Ficção de Polpa – Crime!, quarto volume da série de literatura de gênero1que já abordou horror e fantasia, organizados por Samir Machado de Machado e lançado hoje pela Não Editora. De Sherlock Holmes à reality shows futuristas, os autores que fazem parte dessa nova edição trazem de volta todo o glamour das investigações que tanto adoramos nas histórias policiais e casos narrados com o mistério e ação na dose exata.

A parte gráfica do livro já é um atrativo à parte. Inspirado nas revistas pulp dos anos 1930 e 1950, como explica o próprio Samir em seu blog, a capa remete às tradicionais histórias de investigações policiais. Mas essa impressão não está apenas do lado de fora: dentro o livro também atrai, com os textos diagramados em duas colunas, todos ilustrados e até com anúncios antigos, parecendo realmente uma daquelas famosas revistas. Anúncios esses que se encaixam em cada um dos 6 contos da edição – mais a faixa bônus -, que não se passam necessariamente em tempos passados.

Casinhas do jogo Banco Imobiliário – ou Monopoly, pra quem gosta do nome original – ilustram o livro. Isso já indica que não se deve pensar na “parede” do título do primeiro livro deCarol Bensimon como algo diferente de uma… parede. Pó de Parede, publicado pela Não Editora, contém três contos que falam de estranhezas e inseguranças da juventude. A CaixaFalta Céu Capitão Capivara estão diretamente ligados à parede, ao concreto, a um lugar onde se cresceu, ou um que se viu construir, ou então em um onde se passou pouco tempo da vida.