Histórias para quem gosta de contar histórias é um livro que deixa dúvidas: é escrito para o leitor ou para o próprio autor? Ele, Cássio Pantaleoni, diz na contracapa que é inegável o fato de que gostamos de ouvir e contar histórias – uma justificativa simples para o porquê de ele escrever. Nessa apresentação, aliás, o autor justifica a própria escrita: ilustrar acontecimentos mundanos deixando-os mais “coloridos”, trazer histórias sobre prazer, angústia e outros aspectos cotidianos revividos através do seu estilo. Assim, é de se pensar que o livro foi feito para ele mesmo, para aproveitar em uma edição bem acabada (da editora 8Inverso) as histórias que primeiro figuraram em folhas soltas de papel – ou num documento do Word.

Mas o leitor não é esquecido por Pantaleoni. Os 20 contos que preenchem cerca de 100 páginas são bons entretenimentos – como o próprio autor sentencia, dizendo que pelo menos isso pode ser tirado do texto –, mas melhores aproveitados se lidos em doses homeopáticas. No livro a história fica, na verdade, em um segundo plano. O que salta aos olhos é o estilo de Pantaleoni: uma narração musicalizada, com palavras cuidadosamente escolhidas e frases rimadas, perfeitas para se ler em voz alta apreciando o seu som. Isso fica acima dos enredos, tramas simples que exploram a sexualidade – como em “Despantalhamundo”, “Casa de Menina” e “Vai, Fontinha!” –, acontecimentos cômicos e momentos melancólicos – a angústia de um casamento sem sentimentos em “Para não passar em branco”, um enterro visto pelos olhos de um menino em “O Abismo”, uma vida dupla em “Substituição”.