Shaker Heights é uma cidade onde tudo funciona perfeitamente. O bairro planejado contém casas grandes e bem arrumadas, com o mesmo padrão de cores, com jardins bem cuidados. Manter essa ordem exige regras bem restritas, como cortar a grama nos dias certos e no tamanho certo, não deixar o lixo na parte da frente da casa para não afetar a vista das fachadas. Toques de recolher em datas festivas para que as ruas não se sujem demais, para que o barulho não atrapalhe ninguém da vizinhança. Shaker Heights é o subúrbio perfeito, o lugar em que qualquer pessoa que ama organização e ordem gostaria de morar, um lugar sem problemas, sem escândalos. Shaker Heights não é um lugar para pessoas como Mia e Pearl Warren, novatas no lugar, ou como Izzy, que acaba de sair da casa dos pais após atear fogo na residência.

Estou sentindo cheiro de ceia de Natal, de amigo secreto da família, de tios bêbados e de melancolia de fim de ano. Significa que é hora da: LISTA DE MELHORES LEITURAS DO ANO!

O ano ainda não acabou, eu sei, mas posso declarar que já tenho a lista de livros mais legais de 2017 – se bem que achei o mesmo no ano passado e tive que adicionar um livro extra depois de ter postado a lista. Mas como o ritmo de leitura anda lendo e tudo o mais, acho que já posso encerrar o expediente de 2017 (que foi bem preguiçoso, desculpa).

Nada pior do que desejar algo, não conseguir e jogar suas expectativas para cima de outra pessoa que não tem nada a ver com o assunto. Esse seria um resumo básico do que é Tudo o que nunca contei, romance de Celeste Ng lançado pela Intrínseca (tradução de Julia Sobral Campos). Tudo começa com o desaparecimento – e consequente morte – de Lydia Lee, 16 anos, aluna exemplar e filha mais do que amada pelos seus pais e seus dois irmãos. A polícia trabalha com a hipótese de suicídio, e é isso o que provavelmente aconteceu – Tudo o que nunca contei não é nenhum thriller, se é isso o que você esperava. É sobre a relação entre pais e filhos e tudo o que pode dar errado quando não há diálogo.