Um dia desses, um amigo retuitou uma mensagem que dizia mais ou menos assim: “a necessidade de ser criativo está fazendo mal ao jornalismo”. Discordo. Para mim, o que está fazendo mal ao jornalismo é a falta de profissionalismo, prazos apertados, acomodação e, principalmente, a padronização da informação. O jornalismo consumido hoje – sim, notícias são produtos – é baseado na repetição. Todo portal de notícias traz o mesmo conteúdo com a mesma abordagem, e o jornal impresso só repete a notícia que todo mundo já viu, assistiu e ouviu no dia anterior. Para o jornal impresso isso não é nada bom, pois manter-se informado através do papel atualmente significa receber informação atrasada, embora ele ainda garanta mais legitimidade à notícia.

Christian Carvalho Cruz, jornalista do caderno “Aliás” do Estado de S. Paulo, é um exemplo de como a criatividade – e gosto pela profissão – só tem a contribuir para o jornalismo. O seu trabalho consiste em reavivar no caderno dominical algum assunto que foi pauta no jornal durante a semana e apresentá-lo com um novo olhar: mais original, surpreendente e literário. E ele faz isso muito bem, pois não fala necessariamente daquilo que foi capa do jornal, mas sim de assuntos que não renderam – para outro jornalista e seu editor – nada além de uma notinha em um canto da página. Essas reportagens, que mais parecem crônicas, foram reunidas no livro Entretanto, foi assim que aconteceu: quando a notícia é só o começo de uma boa história, publicado pela Arquipélago Editorial.