Por trabalhar com redes sociais para uma editora, o que mais ando vendo no fim do ano são as listas de melhores livros do bendito ano. E eu não aguento mais tanta lista. Já tem até uma lista das melhores listas de melhores livros (please, stop listas, mas essa é bem legal porque mostra umas estatísticas das listas, como número de autoras mulheres, homens, traduções, brancos, negros que aparecem nelas etc.). Mas se eu não suporto mais ver tanta lista por aí, por que estou fazendo uma? Porque é tradição, porque quero relembrar o que li esse ano, porque o Google adora e vivo recebendo visitas no blog por causa delas (rs).

De acordo com o DATAr.izze.nhas (a página de livros lidos), o número de títulos que eu li vem caindo a cada ano, shame on me. Já cansei de procurar desculpa para justificar isso (ano passado foi a mudança para São Paulo), então vou jogar a real e dizer que às vezes estou tão cansada, mas tão cansada, que só quero deitar no sofá e encarar a parede (ou então assistir novela mesmo). Ou talvez esteja desenvolvendo alguma dificuldade de me manter concentrada em uma coisa só. Mas ainda consegui reunir nove livros que gostei muito mesmo de ler em 2015, entre coisas que comecei no ano passado (beijo, DFW) e até uma releitura. Então, segue a listinha em ordem cronológica de leitura. 🙂

Uma mulher com mais de quarenta anos perde seu marido. Com duas filhas jovens já fora de casa, às voltas com a faculdade, e dois garotos (pré) adolescentes para cuidar, ela não tem muito dinheiro, não tem emprego, e as coisas não são exatamente fáceis para uma mulher no final dos anos 1960 na Irlanda, ainda mais uma viúva. Nora Webster, romance mais recente de Colm Tóibín – que veio para a Flip de 2015 – é a história dessa mulher. Um livro, segundo o autor, que levou anos para ser escrito e que traz ecos da história de sua própria mãe e de como ela, Tóibín e seu irmão lidaram com a perda do pai.

Nora Webster (tradução de Rubens Figueiredo) não é apenas um livro sobre o luto, embora ele esteja sempre presente. Quando começa a narrativa, seis meses após a morte de Maurice, um respeitado professor da cidade, Nora ainda está fragilizada, triste e inconformada com a perda do amor de sua vida. A toda hora ela pensa o que Maurice faria, relembra suas opiniões, conversas que tiveram sobre conhecidos da cidade, sobre suas famílias, sobre os filhos. O sofrimento dela é palpável, transmitido ao leitor pela escrita simples e tocante de Tóibín. Ele não precisa de muito para mostrar como Nora está emocionalmente desgastada, apavorada com o futuro dela e de sua família. E, ainda maior que isso, sua irritação com a maneira que passa a ser tratada por todos.

Com algumas pessoas, acontece que a vida as leva para caminhos diversos como se houvesse alguma coisa oculta agindo sobre elas, obrigando-as a tomar decisões que não esperariam ter que enfrentar, que parecem ir contra sua real vontade. São pessoas que aceitam o que essa vida lhes proporciona, que baixam a cabeça e seguem com a rotina que lhes fora imposta, felizes por estarem bem, com saúde, trabalho e pessoas com quem conversar. Pessoas assim parecem monótonas, pouco interessantes, sem verdadeiras histórias para contar, mas pro trás delas pode existir uma boa narrativa que lhe faz pensar sobre como as mudanças e escolhas impostas por si mesmo podem alterar o curso da vida.

Colm Tóibín pega uma dessas pessoas para protagonizar seu romance, Brooklyn, com edição brasileira publicada pela Companhia das Letras. Eilis Lacey era apenas uma garota comum do início dos anos 1950, recém saída da escola, filha mais nova de uma família com três irmãos e uma irmã mais velha, vivendo em uma cidadezinha da Irlanda. Sem conseguir um emprego em sua cidade e sem nenhuma perspectiva de crescimento profissional, aceita a proposta de um padre irlandês que vive nos EUA para se mudar para o Brooklyn, trabalhar em uma loja e morar em uma pensão com outras garotas. Lá, ela se dedica ao trabalho e aos estudos de contabilidade, sonhando com um emprego em algum escritório, mas sem muitas outras ambições.