A Coreia do Norte sempre foi um desses países esquisitos que pouco conhecemos. O que todos sabem é que é uma nação fechada, que foi governada por um homem no mínimo incomum – com todas as suas esquisitices – e possui forte educação militar – quem nunca viu as marchas sincronizadas do exército coreano em paradas cívicas no YouTube não deve ter ouvido falar desse país mesmo. A Coreia do Norte foi foco da imprensa depois da morte de Kim Jong Il no final do ano passado, com todas as matérias contestando a veracidade do choro dramático da população pela perda de seu líder. A política norte-coreana, para o senso comum, sempre foi alienante. E se isso já era uma ideia horrível de se conceber, pior ainda é conhecer outra face autoritária e manipuladora do país.

Antes de ler Fuga do Campo 14: a dramática jornada de um prisioneiro da Coreia do Norte ruma à liberdade no ocidente, de Blaine Harden, não havia ouvido falar dos campos de trabalho forçado para prisioneiros políticos mantidos pelo governo norte-coreano. Segundo a Coreia do Sul, o país vizinho mantém seis desses campos que existem há pelo menos 50 anos – e que a Coreia do Norte insiste dizer ser uma invenção das potências ocidentais para tiranizar o país. Pensem nos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial: as pessoas são levadas até eles sem saberem o motivo. São obrigadas a trabalhar e viver em situações precárias, sem roupas decentes, sem direito a nada e com escassa comida, sendo repreendidas ao cometerem qualquer erro sequer. Ou, segundo os 10 mandamentos do Campo 14, o mais terrível e controlado de todos os campos, essa repreensão vem em forma de balas: a qualquer transgressão, a pessoa será “fuzilada imediatamente”.