Natascha Kampusch foi sequestrada a caminho da escola no dia 2 de março de 1998. Trancafiada em um cativeiro minúsculo por mais de oito anos e feita de escrava, seu martírio teve fim apenas em 2006, quando conseguiu fugir de Wolfgang Priklopil, o sequestrador. Em 3096 Dias, lançado pela Versus Editoria no Brasil, a própria Natascha revela os horrores pelos quais passou. Constante vítima de espancamentos, vivendo em um regime de subnutrição e psicologicamente danificada pelas mentiras do sequestrador, a jovem transforma o relato do caso que alterou completamente a sua vida em um atestado de sanidade e crítica às pessoas que lhe lançaram insultos por perdoar Priklopil.

Em sua narrativa, Natascha é auxiliada pelas editoras Heike GronemeierCorinna Milborn a organizar todos os detalhes de seu cativeiro, um dos maiores casos policiais da Áustria. Nos primeiros capítulos, Natascha faz um panorama de sua infância pré-sequestro afetada pela separação dos pais, que a transformou em uma criança sozinha que passava os dias lendo ou em frente à TV enquanto comia compulsivamente. Aos 10 anos de idade, a menina sem autoestima e medrosa é jogada dentro de um furgão e levada até uma casa em um subúrbio. Durante os primeiros meses longe de seus familiares, Natascha viveu no cativeiro de cinco metros quadrados no subsolo da casa do até então engenheiro de comunicações Wolfgang Priklopil.