O leitor de ficção pode pouco saber sobre a sua estrutura, que pontos técnicos um texto contém que fazem dele uma boa história, mas sabe reconhecer quando vê esse bom livro na sua frente. Quando é belamente escrito e traz uma história cativante, o leitor se sente preso ao livro, vive os momentos narrados, confronta novos dilemas e simpatiza, ou não, com personagens. Por trás dessa imersão total à ficção, há detalhes estilísticos, técnicas de escrita que, por mais que se diferem entre um autor e outro, são uma convenção da literatura. É sobre isso que o crítico inglês James Wood fala no livro Como Funciona a Ficção, lançado no Brasil pela Cosac Naify com tradução de Denise Bottmann, um “guia” com os principais pontos de uma ficção de qualidade. Falando de personagens, foco narrativo, verossimilhança e linguagem, Wood traz um livro de extremo interesse para escritores, críticos e, claro, leitores.

Em verbetes em que detalha cada aspecto importante da ficção, Wood apresenta de forma clara a técnica por trás da escrita. Ele utiliza trechos de romancistas reconhecidos, como Vladimir Nabokov, Henry James e Virginia Woolf, para ilustrar como funciona a narração indireta livre, como o detalhe pode ser o diferencial em uma narrativa, como a ficção causa empatia ao leitor. Ele cria seus próprios exemplos ou altera as citações para provar que, diferentemente escritas, mudam a percepção do romance e perdem seu brilho. Por ser escrito nesse formato de verbetes numerados, Como Funciona a Ficção é um livro para ser constantemente consultado.