certos-homensO que cabe dentro de uma crônica? Além dos dois ou três mil caracteres que seu espaço dentro de uma página de jornal ou revista permite, o que mais podemos colocar dentro desse pequeno texto? Esse espaço pode ser preenchido com alguma experiência do cotidiano, um evento corriqueiro, uma crítica ou comentário sobre uma notícia, ato ou episódio, uma reflexão sobre o que há na vida. Enfim, tudo cabe dentro de uma crônica, basta um assunto, a abordagem e as palavras certas para iniciar sua escrita. E diferente do que alguns pensam, a crônica pode viver mais que o jornal em que foi publicada, e que no dia seguinte já é descartado, mais que uma semana ou um mês.

“Quase tudo o que cabe numa crônica está nesse livro”, diz a orelha de Certos homens, do escritor Ivan Angelo, terceiro volume da série Arte da crônica da Arquipélago Editorial – que já publicou nesse mesmo formato os livros Nós passaremos em branco, de Luís Henrique Pellanda, e Esse inferno vai acabar, de Humberto Werneck. A orelha não mente: um pouco de tudo foi utilizado pelo autor para compor as crônicas publicadas na revista Veja São Paulo. Amor, família, trabalho, relações inusitadas e histórias engraçadas ouvidas ou vividas.

Final de 2008, o mundo prevê uma crise e empresas se adiantam: promovem demissões. Há mais de 10 anos trabalhando em uma agência de publicidade e propaganda de Porto Alegre, a redatora publicitária Magali Moraessentiu a dor de um chute na bunda profissional e a auto-estima cair em um abismo. Tudo por causa do medo de uma crise. Depois de anos trabalhando naquela agência com a rotina de acordar cedo e ir para o trabalho, como lidar com a primeira, e mais que inesperada, demissão? A solução encontrada por Magali foi externar suas dores fazendo um blog, O Diário de uma Demitida.

Não há coisa mais “turista” do que viajar e não dar um passo sem consultar o guia do lugar para onde se foi. Eles oferecem ao um olhar puramente turístico, os passeios, os pontos interessantes, onde ficar, onde comer, quanto pagar – é para isso que servem, afinal. Mas há uma maneira diferente de apresentar ao turista em potencial informações sobre o local para onde ele pretende ir. Mas só para os que querem visitar Havana. O primeiro livro da série Expedições Urbanas viaja a capital de Cuba para contar como é o cotidiano do cidadão cubano, não apenas os seus pontos turísticos. Esse trabalho foi realizado pelo jornalista Airton Ortiz em Havana, publicado pela editora Record. E não é nem no formato de guia, nem no de reportagem: são crônicas.

Drauzio Varella é um nome bem conhecido de todos. Se não pelo livro Estação Carandiru, que originou o cultuado filme, é pelas suas séries sobre saúde transmitidas pela Rede Globo no Fantástico. De alguma forma, você já teve contato com o trabalho dele. No meu caso, tive apenas com as matérias na Globo mesmo, nem ao menos cheguei a ver Carandiru. Mas agora li as crônicas que o médico/escritor escreve para o jornal Folha de S. Paulo, um trabalho de 10 anos publicado no livro A Teoria das Janelas Quebradas, pela Companhia das Letras.