Há sempre altas expectativas quando um futuro lançamento é muito comentado. Se os burburinhos sobre um livro já se espalham com entusiasmo mesmo antes de ele ficar pronto, significa que há algo grande vindo por aí. Quando um trecho desse livro é selecionado entre os 20 melhores da ficção brasileira para ser publicado em uma revista de renome, o nível de curiosidade e certeza de que o livro será bom só aumenta. Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera, deve ter sido um dos lançamentos nacionais mais comentados de 2012, com direitos de tradução vendidos para outros países antes mesmo de chegar às livrarias. Um bafafá danado. Apnéia, título que deu ao primeiro capítulo da obra que foi publicado na Granta, foi um dos textos que mais gostei da coletânea. É óbvio que o livro seria lido com curiosidade e entusiasmo.

O fim da leitura não ficou abaixo e nem superou as expectativas: era o que eu esperava, um livro bom. Não maravilhoso, fenomenal, a melhor coisa que li na vida, apenas bom. Faz sentido começar comentando sobre o que ficou ao encerrar a leitura, pois é com o final que ela começa. Não é o primeiro capítulo publicado na Granta que abre o livro, mas sim um prólogo onde um homem narra em primeira pessoa uma história sobre um tio que nunca conheceu, cuja vida decidiu investigar depois de sua morte. Contudo, ao ler a sinopse o leitor já sabe que o protagonista do romance não procura desvendar o que aconteceu com a vida de seu tio. Ele quer saber da vida de seu avô. Um início que pode confundir alguns leitores, ou deixá-los em alerta para o desfecho da história antes mesmo de começar a enveredar por ela.

Toda antologia que pretende reunir o “melhor” de qualquer coisa vem carregada de polêmicas. Como a recepção de um texto é muito baseado na subjetividade – suas preferências e experiências determinam o que será apreciado ou não, mesmo reconhecendo a qualidade literária de um texto que pouco agrada –, a lista dos 20 melhores jovens escritores brasileiros de cada um seria diferente da que os jurados da Granta formaram. Sempre haverá alguém para dizer que aquele outro escritor merecia estar no lugar desse aqui, que gosta dos livros e contos de X mais do que dos de Y. Que reclama que W nem ao menos tem um livro próprio publicado ainda, então o que está fazendo nessa lista? Reclamações à parte, falta dizer que a palavra “melhores” não quer dizer nada. Cada um tem os seus “melhores”, e nesse caso, ela vem para mostrar alguns destaques que, futuramente, podem ser reconhecidos como os “melhores” de nossa literatura.

Fazendo um comentário geral, quando os nomes dessa nona edição da Granta em português foram anunciados, achei as escolhas bem justas e previsíveis. Parte dos escolhidos eu já havia lido, outra parte eu já havia ouvido falar com elogios. O resultado foi o esperado: nomes bem vistos pelos críticos, com uma ou duas surpresas que mostram que não são só os já “famosos” que ganham espaço na revista. A expectativa ao começar a ler, claro, é grande, se espera realmente o “melhor” de cada escritor, pois foi assim que a revista foi vendida. Mas apesar de bons, não é exatamente o melhor que se encontra – novamente, a subjetividade da literatura.