É difícil ler Laços sem pensar em Dias de abandono. Mesmo que você tente ignorar os rumores sobre a real identidade de Elena Ferrante – Domenico Starnone é casado com Anita Raja, que apontam como a pessoa por trás do pseudônimo –, os paralelos entre os dois livros são muitos. Mas calma, cada livro se sustenta muito bem sozinho. Em Dias de abandono, acompanhamos o drama de uma mulher deixada pelo marido, sua amargura por ter sido trocada por alguém bem mais jovem, o sentimento de não ser mais bonita, desejada, e com o peso da responsabilidade pelos filhos todo em cima dela. Em Laços, começamos pelo mesmo lugar: Starnone nos apresenta cartas que Vanda, a esposa abandonada, manda para o marido Aldo, alternando momentos de compreensão com ataques de fúria.

Uma mulher de meia-idade, professora, deixa a cidade para passar as férias no litoral do sul da Itália. Leda está livre das obrigações de mãe. Suas duas filhas, já crescidas, vivem perto do pai em Toronto, no Canadá. As preocupações atuais de Leda são o trabalho e, agora, encontrar um lugar confortável nas areias de uma praia tranquila para ler e revisar seus estudos. Momentos que são interrompidos pelas lembranças da própria maternidade desencadeadas pela presença de uma jovem mulher e sua filha acompanhadas da barulhenta família, pessoas que também transportam a narradora para a sua juventude em Nápoles.

Olga é abandonada por Mario após quinze anos de casamento. Eles vivem num apartamento em Turim, na Itália. Ela, escritora, deixou o trabalho de lado para cuidar da casa e dos filhos, Gianni e Ilaria. Depois de um almoço em que tudo aparentava estar tranquilo, Mario lhe comunica calmamente que está indo embora. Olga fica sozinha com as crianças, tentando entender o que aconteceu, tentando não ser consumida pelo rancor do abandono.

Este é o enredo do curto romance de Elena Ferrante, Dias de abandono (tradução de Francesca Cricelli). A autora da série Napolitana mantém neste livro a mesma intensidade narrativa que encontramos em A amiga genial e História do novo sobrenome. Quem nos conta todo o drama da separação é a própria Olga, que aproxima o leitor de seus sentimentos e medos.