Um escritor que vai para Dublin passar um tempo para escrever um livro ambientado na cidade provavelmente vai falar de James Joyce em algum momento da narrativa, certo? Errado. Nem usar o estilo Ulysses de ser? Talvez. Mas a referência pode não ser assim tão clara, e aí você passa um livro inteiro sobre Dublin sem nem pensar em Orlando Bloom, Molly, Joyce e companhia. Melhor fugir do clichê. Quem esperaria um pouquinho da grande obra joyceana em Digam a Satã que o recado foi entendido, de Daniel Pellizzari, pode se decepcionar um pouco, mas apenas nesse aspecto. Só porque se passa em Dublin e as personagens não sabem muito bem o que fazer com a vida e as coisas simplesmente “acontecem” com elas, não quer dizer que Joyce deveria estar ali aparecendo nas entrelinhas de cada página – na verdade ele aparece, quando o protagonista fala de “turistas pretensiosos”. Esse parágrafo só está aqui para dizer que não pensei em Joyce em momento algum da leitura, e isso foi bom.