“Faltava pouco para as oito da manhã quando o conselheiro titular Yákov Pietróvitch Golyádkin despertou de um longo sono, bocejou, espreguiçou-se e por fim abriu inteiramente os olhos. Aliás, ficou uns dois minutos deitado em sua cama, imóvel, como alguém que ainda não sabe direito se acordou ou continua dormindo, se tudo o que está acontecendo é de fato real ou uma continuação de seus desordenados devaneios.”

Em 1859, quando retorna a São Petersburgo após ficar quatro anos preso na Sibéria, Fiódor Dostoiévski começa a idealizar seu próximo romance: Humilhados e ofendidos (Editora 34, tradução de Fátima Bianchi). O título certamente ilustra bem o que ele passou em seus dias de prisioneiro, mas aqui ele retrata o povo. Diariamente ofendidos em seus direitos, humilhados pelas circunstâncias da vida, as personagens do romance são uma reunião de pessoas pisoteadas pela sociedade, por mais trabalhadores e honestos que sejam.