Ler as crônicas de Humberto Werneck publicadas no livro Esse inferno vai acabar (Arquipélago Editorial) me fizeram pensar em algumas coisas. Primeiro, em quantas pessoas interessantes (e estranhas) o autor eternizou nesses textos, todas resgatadas de sua memória. Depois, em como momentos importantes ganham um ar de simplicidade na sua mão, e por isso marcam mais. E terceiro, me voltou aquela imagem romântica do jornalista que vive e vê momentos inesquecíveis em horários ingratos de trabalho, estressantes, mas invejado ao ter contato com essa rotina através das experiências do autor. Entretanto, não vou me deixar levar pelas palavras bonitas de Werneck e reacender o meu interesse pelo jornalismo, vou me contentar apenas em ter lido ótimas crônicas e falar sobre elas.

Três páginas são espaço o bastante para Werneck relatar seus estranhos casos familiares, os dias de redação no Jornal da Tarde, Jornal do Brasil ou ainda nas revistas Veja, IstoÉ e Playboy. E claro, falar de desconhecidos ilustres com quem topou nas ruas de São Paulo ou Belo Horizonte, de onde vem muito de suas crônicas. Essas três páginas – às vezes com um acréscimo de parágrafos, dependendo da importância do tema do texto, como no caso da juventude da presidente Dilma –, passam rápido e pedem para serem lidas novamente, pois o que o jornalista contou merece uma segunda leitura para apreciação. Se alguma personagem incomum de Werneck passou sem muito alarde, ela pode acabar reaparecendo em outro texto. Que o diga a prima Solange, a que gosta de falar difícil e desenterrar o maior número de palavras possíveis do dicionário. Afinal, se elas estão lá escritas, devem ser usadas, e essa mania rendeu bons textos para Werneck.