Na sociedade há padrões de comportamento que são repetidos quase que inconscientemente. Quando algo acontece, temos reações já pré-estabelecidas, regras sobre o que devemos dizer e expectativas quanto aos rumos da vida. Você estuda, você cresce na carreira, você casa, tem filhos, depois netos e então morre. Keiko Furukura tem 36 anos e está longe de seguir esse padrão. Funcionária de uma konbini há 18 anos – as famosas lojas de conveniência japonesa –, sua grande preocupação é esconder da sociedade a sua visão peculiar de mundo para ser vista como alguém normal. Mas o próprio fato de ter estar perto dos 40 e ainda trabalhar nesse estabelecimento conta como ponto negativo a seu desejo por normalidade.

Quando imaginamos um clássico da literatura, geralmente pensamos em um livro perfeito em sua técnica, aquele que ditou formas e maneiras de se narrar uma história. A inventividade, nesse caso, é uma característica que demora para vir à mente. O romance pode ter entrado para a história da literatura por quebrar paradigmas, narrar o que antes era inenarrável, desafiar a compreensão do leitor. Tudo isso, de alguma forma, se imprime no imaginário do livro ideal, daquele que, não importa o quanto os anos passarem, continuarão sendo aclamados com os grandes romances definidores do estilo e que, décadas depois, ainda continuam atuais. Reflexões do gato Murr – e uma fragmentada biografia do compositor Johannes Kreisler em folhas dispersas de rascunho, de E.T.A. Hoffmann, parece estar meio esquecido na coleção de clássicos literários, mas agora é resgatado em uma nova edição traduzida por Maria Aparecida Barbosa e publicada pela Estação Liberdade.