Escatológico seria a palavra mais abrangente para definir o livro Festa na usina nuclear, do estreante autor carioca Rafael Sperling. Lembra aquele momento da adolescência masculina em que, querendo mostrar que cresceu e está maduro, milhares de palavras chulas e referências a sexo são despejadas a cada nova frase. Pode-se fazer um paralelo com os jovens escritores, que querendo parecer mais culto e intelectual, abarrotam seus escritos com palavras mirabolantes em desuso que confundem tanto quanto uma letra de música do Djavan. Mas apesar de tudo isso, tanto sexo, sujeira e um conto com frases de efeitos incompreensíveis, Sperling começou bem.

Publicado pela editora Oito e Meio, Festa na usina nuclear reúne 25 contos do escritor que abusa das situações absurdas. Nele há um mundo onde o trabalho é o ócio, e ganha mais aquele que passa a maior parte do tempo dormindo (“Éz”). Há três textos intitulados “Um homem chamado Homem”, em que o Homem procura, em seu fim, o direito de praticar a Não Atividade. Nesses três contos o autor brinca com as definições das coisas: o Homem se casa com a Mulher e tem o Menino, realiza o Trabalho e também pratica o Sentar Em Frente À Televisão, Com A Lata De Cerveja. O clichê dos nomes é utilizado para contar uma história em que a impessoalidade das personagens dá lugar a comportamentos revolucionários.