Entre o absurdo e a realidade, os contos de George Saunders estão entre os meus favoritos. Autor de Dez de dezembro (publicado no Brasil pela Companhia das Letras em 2013) e do romance Lincoln no limbo (pela mesma editora no ano passado, e vencedor do Man Booker Prize) ele é considerado um dos principais autores da atualidade. Mas ainda tem coisas do autor não publicadas aqui para se conhecer, que é o caso de Pastoralia, sua segunda coletânea de contos lançada em 2000.

Estou sentindo cheiro de ceia de Natal, de amigo secreto da família, de tios bêbados e de melancolia de fim de ano. Significa que é hora da: LISTA DE MELHORES LEITURAS DO ANO!

O ano ainda não acabou, eu sei, mas posso declarar que já tenho a lista de livros mais legais de 2017 – se bem que achei o mesmo no ano passado e tive que adicionar um livro extra depois de ter postado a lista. Mas como o ritmo de leitura anda lendo e tudo o mais, acho que já posso encerrar o expediente de 2017 (que foi bem preguiçoso, desculpa).

George Saunders é um dos principais nomes do conto norte-americano. Aqui no Brasil, lançou Dez de dezembro, livro que reúne dez contos que, como escrevi na época, são “de alguma forma ligados a questões como a realidade obscura da vida no subúrbio, conflitos morais, o cotidiano com suas falhas, acertos, dramas e comédias”. Os contos possuem certa dose de fantasia, ou de absurdo, mas são, basicamente, sobre questões existenciais, sobre o comum da vida. Lembro de ter gostado de tudo nesses contos: dos enredos, das personagens, da maneira com que Saunders escreve. Então não foi por puro acaso que li Lincoln in the Bardo, seu primeiro romance que foi lançado no começo desse ano.

Faltam poucos dias para 2014 acabar (poderia colocar o número de dias aqui, mas sou tão ruim com números que poderia errar esse cálculo fácil, então vamos usar o “poucos dias” mesmo), e esse foi um ano bom profissionalmente, pessoalmente, mas fraquíssimo na minha intensidade de leitura – provavelmente por estar tão ocupada com as coisas fora dos livros, né – e também por usar o tempo no ônibus para dormir mais.

Mas vamos lá: foram 27 livros lidos ao todo (sim, só isso), e há ainda quatro em processo de leitura – Graça infinitaque está maravilhoso, O demônio do meio-dia, que interrompi justamente por causa do Graça, mas que também estava ótimo, A balada de Adam Henry, a atual leitura de ônibus (pois né, difícil carregar DFW por aí), e Oblómovque já vou até considerar aqui como “abandonado” porque sei que vou levar eras até pegar ele de novo – tiro da conta o Dom Quixote marcado como “lendo” no Goodreads porque li o primeiro volume no ano retrasado e falta só o segundo, hehe.

É difícil falar sobre contos e blábláblá. A leitura é mais leve, mas ao mesmo tempo profunda e blábláblá. Resenhar um livro de contos é complicado porque ou você fala de cada texto, ou faz um comentário que consiga abranger todos os contos em uma coisa só e blábláblá. Não sei quantas vezes já comecei a falar sobre um livro com essas frases, mas a sensação, terminada a leitura, é essa: como explicar que os textos de tal autor são ótimos e como resumir a sensação da leitura como um todo? Isso só acontece, claro, com os bons livros, como foi o caso de Dez de dezembro, de George Saunders.