Breve como sugere o título são os contos de Henrique Schneider no livro A vida é breve e passa ao lado, publicado pela editora Dublinense. Se o gênero crônica comporta a fantasia, assim eles poderiam ser classificados. Os textos de não mais que duas páginas escritas por Schneider trazem uma mistura de realidade e corriqueiro com a fantasia que dá características incomuns às suas personagens. São 44 contos que buscam falar das alegrias, dramas e tristezas que todos – ou quase todos – enfrentam na vida, e tudo em poucas linhas – uma exigência, certamente, do espaço que tem no jornal em que elas foram originalmente publicadas, o ABC Domingo que circula aqui na região do Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul.

A maioria dos textos segue uma estrutura simples na apresentação de seus “conflitos”. O texto inteiro descreve as personagens, monta todo um cenário para as tramas que, no fim, tem o contexto alterado com uma única frase na última linha. Isso traz surpresa para o leitor, tira o conto do que seria mais uma história normal do cotidiano, arranca as personagens de um estado de conforto e abre portas para novos dramas que devem ser preenchidos pelo próprio leitor – é tarefa dele completar os espaços não narrados por Schneider e dar um verdadeiro fim a essas histórias.